Levado
à presença da Rainha, Dartinha ajoelhou-se diante do trono. A bela Ana da
Áustria bateu palmas nervosamente e ordenou: -
Retirem-se todos! Quero ficar a sós com este
homem! Todos
os lacaios, guardas reais e damas de companhia deixaram correndo o enorme
salão. -
O senhor também, Cardeal! Gritou Ana, apontando para um volume enorme sob o
tapete persa. Richelieu se arrastou para fora e retirou-se de costas, entre
mesuras e sorrisos amarelos. -
Dartinha, não poderia deixar de recompensa-lo por ter recuperado o
colar. Disse
Ana. -
Peça-me o que quiseres! -
O que eu quiser mesmo? -
Sim, sim, o que quiseres! Repetiu a Rainha, umedecendo os lábios com a
língua. -
Bem, eu quero uma passagem de primeira classe na próxima carruagem com destino a
Gasconha! Estou deixando Paris para sempre! A
rainha empalideceu diante do inusitado pedido. Ela nutria a esperança de que
D’Artagnan se estabelecesse num emprego público, daqueles com ótimo salário e
pouco trabalho, como o dos Mosqueteiros, e pudesse passar os dias satisfazendo
seus caprichos sexuais. Mas ela era antes de tudo uma mulher nobre, e saberia
honrar sua promessa. -
Parte-me o coração saber que este é o teu desejo. Mas se é isto o que queres,
assim será. Conceda-me antes uma última polca? Darta
pegou Ana no colo, deitou Ana no solo e a fez mulher. Minutos depois, já de
malas feitas e passagem na mão, seguiu até o terminal central das carruagens.
Não sem antes dar um pulinho até a taverna, tomar um último trago e desfrutar
das últimas polcas com Brigitte, Claudette e
Caterine. ******** Dois
meses depois, a pequena Gasconha se embandeirava em festa. Naquela manhã de
domingo D’Artagnan e sua bela Jacqueline se uniriam em matrimônio. Na pequena
aldeia as histórias sobre as aventuras do filho pródigo em Paris fizeram de
Darta uma personalidade local. O
jovem estava genuinamente feliz em poder retomar sua vida tranqüila naquela
pequena comunidade. Só uma coisa o aborrecia: mesmo amando Jacqueline, sentia
falta das muitas e fogosas amantes conquistadas em
Paris. Após
a cerimônia, na praça principal, a alta sociedade da Gasconha se embalava em
muito vinho, música e javalis assados, como nos gibis do Asterix. O prefeito
pediu a palavra: -
Minha gente! Muito mais do que a simples comemoração de um casamento, esta festa
é a celebração de um novo tempo para nossa progressista
Gasconha! O
povo aplaudiu freneticamente. -
Depois de tantos anos esquecida nossa pequena aldeia finalmente vem conseguindo
atrair grandes investimentos da capital! A Rainha Ana da Áustria anunciou a
construção, aqui, de sua casa de veraneio! D’Artagnan
sorriu maliciosamente. E o prefeito continuou: -
E este é só o começo! Quero apresentar a vocês esta pujante empresária, que
promete erguer na Gasconha a maior Taverna, boate e restaurante self-service de
toda a França! Lady Clark! -
Mas... Mas... D’Artagnan apenas conseguia balbuciar palavras desconexas quando
viu a exuberante Lady Clark passar por ele. Com uma piscadela, a mulher
sussurrou em seu ouvido: -
Sorte minha que França e Inglaterra ainda não têm acordo de extradição...
A
Scotland Yard acabou me soltando! Pouco
tempo depois, a presença da realeza e o grande empreendimento de Lady Clark
mudariam a face da pacata Gasconha. Como se não bastasse a polca garantida pela
bela ladra e pela exuberante rainha, Brigitte, Claudette e Caterine vieram
trabalhar na nova megataberna, cansadas de Paris e dos Mosqueteiros pouco
inspirados. D’Artagnan
poderia se queixar de tudo, menos de tédio. E
foi assim que o nobre gascão, homem intrépido e viril que não se contentou em
matar mosquitos, encontrou na pequena aldeia natal a realização de todos os seus
sonhos, levando uma vida longa e próspera. Ainda
hoje, o visitante que se aventurar pela região da Gasconha ouvirá, em trovas e
prosas, a história de D’Artagnan. E poderá ler, no túmulo do herói, a frase que
sintetiza sua vida singular: -
“Polcar sempre vale a pena, se a espada não é pequena”.
Foi
lindo, não? Obrigado
por sua visita a está página e até a próximo
Web-Novela! Final
Capítulo
XXXVI