D’Artagnan não conseguia esconder sua desolação. - Por que você está tão decepcionado, gascão? Perguntou Porthos. - Bem, é que durante dez anos fui submetido a um treinamento árduo, ministrado por meu pai, para manejar com maestria minha espada e poder servir ao meu Rei e minha Pátria. Foi para isto que devotei todo o meu tempo e minhas esperanças... - Ora! Interrompeu Aramis - O que você quer insinuar com isso? Nós três somos exímios espadachins! - E nem poderia ser diferente! Completou Athos - Os caminhões fumacês ainda não foram inventados e só com muita habilidade é possível acertar um mosquito da dengue com a espada! - Mas... Em todo este tempo que passei em Paris na companhia de vocês, nunca os vi caçando um só mosquito! Disse D´Artagnan, cada vez mais confuso. Porthos ficou vermelho como uma bandeira do PT antes da globalização e disse ao gascão num tom de voz contido: - Isso mesmo, traidor. Conta que a gente não trabalha, assim, bem alto, na frente do Sr. De Tréville. - Ah, Porthos, deixa pra lá... Apaziguou Aramis - A gente é concursado e está sem aumento a oito anos mesmo... - Continuo não entendendo... Todas aquelas aventuras... Murmurou D’Artagnan. - Aí é outra história... Explicou Aramis - Nas aventuras sempre rola algum por fora. E sabe que foi muita coincidência tanto agito nos últimos dias? Normalmente o nosso dia-a-dia é um tédio danado... Cabisbaixo, D’Artagnan não disse mais nada. Simplesmente caminhou em direção à porta. - Onde é que você vai, meu rapaz? Perguntou o Sr. De Tréville - E o emprego? - Estou voltando para a Gasconha. Melhor retomar minha vida modesta no interior do que caçar mosquitos em Paris! - Você não vai a parte alguma! Disse um homem afetado e nobremente vestido que entrou na sala naquele momento. - E quem é você para ousar me impedir? - Um emissário da Rainha! Respondeu o homem - Ela quer vê-lo imediatamente! A Rainha quer ver o Dartinha? O que será que o aguarda? Mais polca? A grande decepção
Capítulo XXXV