- Athos está certo, D´Artagnan. Realmente a palavra certa é Mosquiteiro - disse o Sr. De Tréville, acentuando bem o "I". Surpreso com tanta ignorância D’Artagnan que embora fosse um gascão iletrado conhecia a língua porque adorava fazer palavras cruzadas, pigarreou e, num tom professoral, explicou aos presentes: - A palavra “mosqueteiro” se escreve com “E” no meio. Ela vem de “mosquete”, espingarda de infantaria, introduzida no século XVI, predecessora da espingarda moderna. Os primeiros eram pesados, de fecho de mecha, e eram disparados apoiados sobre uma forquilha. Mais tarde evoluíram através dos modelos de fecho de roda e fecho de pederneira para o de fecho de percussão! - Mosquete não é apenas isso! Completou o Sr. De Tréville. - Não? Surpreendeu-se Darta. – E o que mais pode ser? Em silêncio, Sr. De Tréville esbofeteou o belo rosto do gascão. - Por que me batestes? Perguntou Darta indignado – Porque ousei corrigir seu vocabulário? - Claro que não! Mamãe vivia fazendo isso e nunca bati na pobrezinha. Você é quem pediu isso. - Pedi? - Sim. É que, segundo o dicionário, “mosquete” pode ser também um tabefe dado com as costas da mão, exatamente como este que lhe dei. - Significa ainda “cavalo de pequeno porte!” Emendou Aramis. Confuso pelo mosquete que levou na cara e pela erudição dos homens do rei, Darta perguntou: - Sr. De Tréville, se conhecem tanto a nossa bela língua pátria, porque o senhor insistiu que mosqueteiro se escreve com “I” no lugar do primeiro “E”? - É que nosso negócio aqui nunca foi empunhar mosquetes. Explicou o Sr. De Tréville. – somos especialistas em eliminar mosquitos! - Sim, mosquitos da dengue! Completou Porthos, ao então estupefato D’Artagnan. O que? Os bravos homens do Rei nada mais são que caça-mosquitos? Ninguém esperava esta reviravolta eletrizante!Entre o colar e a guilhotina
Capítulo XXXIV