Na manhã de sexta-feira, a Rainha chamou o Rei para uma conversa particular e para dizer-lhe que não poderia comparecer ao baile da festa de aniversário. Os quatro heróis do Sr. De Tréville não voltavam de Londres e sem a jóia de alfinetes de diamantes, ela não poderia desfilar na Mangueira, ou digo, no salão real. E comunicou: - Meu Rei, eu não poderei comparecer ao baile esta noite. Roubaram meu colar de alfinetes de diamantes. - Ah Então é verdade que você matou a criada? - Não meu Rei. Ela foi assassinada por alguém que não sabemos quem seja. O Sr. De Tréville ajudou-me a esconder o corpo e mantivemos o segredo sobre sua morte. Quem a matou, certamente foi surpreendido furtando o colar e fugiu levando a jóia. - Mas quem teria armado esse barraco todo, Senhora Rainha? - De Tréville acredita que seja o Cardeal Richelieu. - Isso é uma infâmia! Reagiu o Luiz XIII. – Jamais repita essa acusação insensata, inconsistente, ignóbil, inconcebível e... e... O Rei não sabia mais nenhuma palavra que começasse com a letra “I” e a Rainha completou para ajudá-lo: - E ignorante... Completou, ignorantemente. - Isso! Isso! Ignorante! Bem achado Minha Rainha. E o Rei saiu dos aposentados reais bufando igual locomotiva da Estrada de Ferro Central do Brasil. Porque naquele tempo ainda existiam locomotivas a vapor na EFCB, mais conhecida como Empresa Funerária de Caixões Baratos. O tempo urge e o leão ruge. As horas corriam mais do que atletas africanos em maratonas e a noite começava a abraçar a cidade grande, como dizia Fiori Gigliotti irradiando futebol. Um a um, os convidados vinham chegando para o Grande Baile do Aniversário da Rainha. O Cardeal Richelieu ficava espicaçando Sua Majestade, afirmando que toda a Corte estava ansiosa para ver a linda jóia de diamantes autênticos vindos de Ciudad Del Leste no Paraguai, o maior país exportador de diamantes legítimos do mundo. E o Rei suava frio. Chamava Sr. De Tréville de dez em dez minutos e indagava sobre os quatro amigos que tinham ido a Londres buscar a jóia. Nenhuma notícia. O baile já havia começado havia mais de três horas. E nada da Rainha aparecer. O Faustinho, Tataravô do Faustão, que fora contratado para ser o animador do baile, já tinha feito tudo o que podia para entreter os convidados. Uma série de enrolações. Fez a prova da maçã, onde as jovens tinham que dar uma mordida na fruta pendurada num barbante. Depois promoveu a dança das cadeiras com cinco candidatos: Marquês Ciro de Patrícia, Conde Serra de Alvorada, Barão Garotinho de Goitacazes, Princesa Roseane de Sarneilândia e Duque Lula do ABC, todos rodando em volta de uma só cadeira. A Princesa Roseana tropeçou numa nota de 50 francos e caiu. Os outros ficaram rodando, rodando, enquanto Faustinho não apitasse o primeiro turno. Quando o Rei já estava quase tendo uma crise de nervos porque a Rainha não aparecia, Richelieu pegou, virou e disse: E agora, José? O bonde não veio, isto é, os quatro não chegaram e Richelieu ainda pegou, virou e disse? Pegou o quê? Virou por quê? Disse o quê? Situação inédita que será esclarecida no próximo estrondoso capítulo. Athos Passa Vergonha
Capítulo XXXI