Sous le ciel de Paris
 
 

Boa de cama, boa de coração

Capítulo XXVIII

 

  

Depois de algumas horas de alucinante polca, D’Artagnan aceitou um copo de vinho da melhor safra da adega especial do Duque de Buckinghan, num gentil oferecimento de Lady Clark.

Que tolice. O jovem gascão ainda não tinha a malícia que precisava ter para viver em Paris e cumprir missões em Londres. Achou que depois de ter dado tanta satisfação à mulher, seria muito natural que ela fosse agradecida e nada como um bom vinho francês naquelas noites frias londrinas. Pois é isso mesmo o que se poderia imaginar. A ardilosa e linda mulher havia colocado um forte sedativo na taça de vinho e Darta só pôde iniciar um relaxante bocejo e caiu no sono tão imediatamente que nem teve tempo de fechar a boca. Lady Clark ainda o admirou por alguns minutos. Aquele rapagão era bonito e sensual até mesmo desmaiado e de boca aberta. Feito isso, a cúmplice do Cardeal, foi até ao quarto do duque e encontrou o porta-jóias de veludo onde estava o colar com os três alfinetes com cabeças de diamantes em forma de pingentes. Voltou ao quarto onde D’Artagnan dormia com a boca escancarada e colocou a caixinha ao lado dele. Assim, quando acordasse, Darta encontraria a jóia que seria a salvação da rainha.

Feito isso, Lady Clark ainda admirou mais uma vez o guapo rapaz e beijando-lhe o rosto tratou de fugir do castelo antes que o efeito do sedativo passasse.

E passou. Darta acordou, sentiu-se meio tonto, como se houvesse bebido várias garrafas de vinho e não apenas meia taça e ficou admirado quando viu o porta-jóias ao seu lado. Sorriu feliz. Ele sabia que as mulheres fariam qualquer coisa para recompensá-lo por uma boa polca, mas, devolver o colar da rainha era muito mais do que poderia esperar. Ainda mais depois que ela não havia lhe cobrado as cinco libras que havia emprestado. Sentiu um certo arrependimento por ter pensado mal de Lady e agora sabia que ela era uma boa pessoa. Recuperou a jóia, deixou ali para que ele a encontrasse e foi embora. Certamente retornaria a França. Lá se encontrariam e... Tome polca.

Agradecido, saiu do castelo e foi se encontrar com os três amigos na estalagem em que se hospedavam. Já que estavam com a jóia poderiam voltar para Paris e entregar a encomenda na quarta-feira, bem antes do baile do aniversário de Ana da Áustria. Chegou à estalagem e deu a boa notícia a Athos, que passou a Porthos que informou a Aramis. Então...

 

 

Pois é. Não devemos julgar ninguém precipitadamente. Lady Clark, ladra e assassina, se mostrou ser capaz de fazer um ato de bondade.

 

 

 

 
"Sous le ciel de Paris"
Capítulo XXVIII
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