Os quatro amigos só tiveram tempo de arrumar algumas roupas na capanga e uma hora depois do encontro com a rainha já estavam na estrada rumo ao Reino Unido. No palácio, Ana da Áustria tentava voltar a dormir. Mas seus pensamentos estavam nas jóias e no regresso de Darta... Enquanto isso... Sim, enquanto isso, na taverna vazia, todas sem sono, as namoradas dos heróis de França, souberam da notícia de que eles haviam partido para a Inglaterra. Jeanne, a namorada de Athos se lamentava: - Athos foi para Londres. Meu pobre coração está triste e apreensivo. - Ele voltará logo, Brigitte. Não fique assim. Athos jamais a abandonará. - Athos? Ora, eu sei disso. Mas ele precisava levar o Dartinha com ele? - Bem... Completou Claudette, a namorada de Porthos. - Nesse caso eu também sinto uma dor no peito! - Deve ser o sutiã apertado. Sentenciou a prática Claudette. - Sutiã? O que é isso? Nunca ouvi falar nessa doença. - Não é doença, Brigitte. É uma peça de roupa que inventaram na Itália, que consiste em duas tocas de bebês amarradas entre si e com laços para serem atados às costas e colocados de tal maneira que os seios das mulheres de mais de trinta anos ficam na mesma posição de quando elas tinham dezesseis. - Já ouvi falar nisso completou Caterine. - Vocês lamentam a viagem de Darta que, na verdade, é a segunda via de seus amores. E eu? Eu, que sou a titular do coração de D’Artagnan, como é que estou me sentindo? - Que conversa é essa Jeanne? Quem foi que disse que você é a titular? Darta é meu! Muito meu! Sentenciou Michelle. - Se ele é seu, ele é meu também! Afirmou Claudette. - Numa hora dessas, com Dartinha tão longe não vamos brigar por ele. Podemos até fazer um poema. Alguma coisa muito bonita como: "Dartinha é da praia / Não é de ninguém" (Nota do Editor: trocadilho infame com "Teresa da Praia", um clássico da MPB do tempo do seu avô). - Sim. Como dizem nossos amores, uma por todas, todas por Darta! Completou Michelle. - Lindo! Lindo! Exclamou Jeanne. Chamaram o taberneiro e pediram vinho. Sabiam que teriam noites de intensos desejos. De sonhos eróticos. De morderem o travesseiro, perdidas na imensa solidão dos lençóis sem Darta. Mas eles já haviam conseguido cruzar o Canal da Mancha numa balsa e agora entravam em Londres. - Onde será a casa do tal Duque? Indagou Aramis. - E onde será que tem uma linda mulher com três libras esterlinas? Quis saber D’Artagnan que só pensava naquilo: Dinheiro! Algumas dessas perguntas serão respondidas no próximo capítulo. E outras como, por exemplo, aquela do ovo e da galinha. Noites Vazias
Capítulo XXIV