Sous le ciel de Paris
 
 

Noites Vazias

Capítulo XXIV

 

Os quatro amigos só tiveram tempo de arrumar algumas roupas na capanga e uma hora depois do encontro com a rainha já estavam na estrada rumo ao Reino Unido. No palácio, Ana da Áustria tentava voltar a dormir. Mas seus pensamentos estavam nas jóias e no regresso de Darta...

Enquanto isso...

Sim, enquanto isso, na taverna vazia, todas sem sono, as namoradas dos heróis de França, souberam da notícia de que eles haviam partido para a Inglaterra. Jeanne, a namorada de Athos se lamentava:

- Athos foi para Londres. Meu pobre coração está triste e apreensivo.

- Ele voltará logo, Brigitte. Não fique assim. Athos jamais a abandonará.

- Athos? Ora, eu sei disso. Mas ele precisava levar o Dartinha com ele?

- Bem...

Completou Claudette, a namorada de Porthos.

- Nesse caso eu também sinto uma dor no peito!

- Deve ser o sutiã apertado. Sentenciou a prática Claudette.

- Sutiã? O que é isso? Nunca ouvi falar nessa doença.

- Não é doença, Brigitte. É uma peça de roupa que inventaram na Itália, que consiste em duas tocas de bebês amarradas entre si e com laços para serem atados às costas e colocados de tal maneira que os seios das mulheres de mais de trinta anos ficam na mesma posição de quando elas tinham dezesseis.

- Já ouvi falar nisso completou Caterine.

- Vocês lamentam a viagem de Darta que, na verdade, é a segunda via de seus amores. E eu? Eu, que sou a titular do coração de D’Artagnan, como é que estou me sentindo?

- Que conversa é essa Jeanne? Quem foi que disse que você é a titular? Darta é meu! Muito meu! Sentenciou Michelle.

- Se ele é seu, ele é meu também! Afirmou Claudette.

- Numa hora dessas, com Dartinha tão longe não vamos brigar por ele. Podemos até fazer um poema. Alguma coisa muito bonita como:

"Dartinha é da praia / Não é de ninguém" (Nota do Editor: trocadilho infame com "Teresa da Praia", um clássico da MPB do tempo do seu avô).

- Sim. Como dizem nossos amores, uma por todas, todas por Darta! Completou Michelle.

- Lindo! Lindo! Exclamou Jeanne.

Chamaram o taberneiro e pediram vinho. Sabiam que teriam noites de intensos desejos. De sonhos eróticos. De morderem o travesseiro, perdidas na imensa solidão dos lençóis sem Darta. Mas eles já haviam conseguido cruzar o Canal da Mancha numa balsa e agora entravam em Londres.

- Onde será a casa do tal Duque? Indagou Aramis.

- E onde será que tem uma linda mulher com três libras esterlinas? Quis saber D’Artagnan que só pensava naquilo: Dinheiro!

 

 

Algumas dessas perguntas serão respondidas no próximo capítulo. E outras como, por exemplo, aquela do ovo e da galinha.

  

 

 

 
"Sous le ciel de Paris"
Capítulo XXIV
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