Darta conhece a Rainha
Capítulo XXIII
Quando o Sr. De Tréville ignorou a presença de D’Artagnan, Athos criou um caso para ver se escapavam da missão. Afinal, ir de Paris a Londres a cavalo naquele tempo em que não havia nem o túnel do Canal da Mancha era um banho na certa. Para não criar caso, De Tréville aceitou que levassem o convidado, mas avisou que não haveria verba para ele. Os três deveriam dividir as despesas por quatro. Tudo acertado marcaram encontro as duas da madrugada para irem ao palácio conversar com a rainha. Lá do alto da torre da Catedral, Quasímodo, o Corcunda que estava todo feliz porque iria assistir a três duelos sem pagar nada, ficou uma arara. Ligou o fogareiro de gás, esquentou um panelão de chumbo derretido e jogou na cabeça das pobres velhinhas que vinham entrando na Notre Dame para assistir a Missa das dezesseis horas.
O Sr. De Tréville e os quatro amigos precisavam entrar no palácio sem serem notados. E entrarem no quarto da rainha em absoluto silêncio para não acordar o Rei Luiz XIII. Para resolver o primeiro problema (entrarem sem ser vistos) Aramis recordou-se de que, antes de ser o palácio real, aquele enorme casarão tinha sido a famosa Penitenciária Du Carrandirru, e havia um túnel que fora escavado pelos detentos do Pavilhão 38, que saia atrás da capela. Ora, pensou ele com muita propriedade: Se saiam, também poderiam entrar. E estava certo. Destamparam a boca do túnel e se esgueiraram até os aposentos reais que estavam exatamente onde antes era o Pavilhão 38 por ser o maior do presídio.
O rei dormia e roncava. Enquanto o rei roncava, deu tempo para a rainha contar o seu drama:
- Roubaram uma jóia que eu ganhei do meu marido. Um lindo colar com três alfinetes com cabeça de diamantes. E agora o Cardeal Richelieu botou na cabeça do rei que eu tenho que usar essa jóia na festa do meu aniversário. Faltam apenas oito dias para o baile. E a jóia está na Inglaterra na casa de meu amigo, o Duque de Buckinghan.
- Ora, majestade. Aqui estão os meus três melhores soldados. Eles irão até Londres e trarão a jóia antes da festa. Disse De Tréville.
- E quem é esse rapaz?
- Esse é nosso amigo, D’Artagnan.
A rainha sorriu feliz e indagou:
- Esse é o Dartinha, de quem tanto as mulheres francesas falam aqui na Corte?
- Sim, majestade. Sou eu e estou ao seu inteiro dispor...
- Quando vocês voltarem da Inglaterra preciso ter uma conversa com você...
Todos voltaram pelo túnel e Darta percebeu que teria outra missão além da viagem até Londres.
Só tiveram tempo de arrumar algumas roupas na capanga e uma hora depois estavam na estrada rumo ao Reino Unido. No palácio, a rainha Ana da Áustria tentava voltar a dormir. Mas seus pensamentos estavam na jóia e no regresso de Darta... Enquanto isso...
Enquanto isso o quê? Sabe que nem eu sei?