Sous le ciel de Paris
 
 

A armadilha do Cardeal

Capítulo XX

            

Injuriados, Athos, Porthos e Aramis (sempre nesta ordem) tramavam uma vingança violenta contra D’Artagnan. Pois tendo recebido o certificado de conclusão do curso sobre Como Conquistar Mulheres Sem Fazer Força, pagando a alta soma de uma moeda de prata por semana, os três passaram um vexame com as mulheres da taverna.

Enquanto isso, não muito longe dali, no palácio real, tinha galinha ciscando pra frente e urubu voando de costas. Lembram-se de que a rainha Ana da Áustria havia desconfiado que a morte da criada e o roubo dos três alfinetes com cabeças de diamantes parecia ter sido uma armadilha do Cardeal Richelieu? Pois era! O relacionamento entre ela e o marido não estava lá essas coisas. E a rainha mantinha segredo sobre o furto, pois temia que fosse uma boa desculpa para o Rei Luiz XIII acabar com o casamento. E na França daqueles tempos, quando o rei queria ficar livre de uma rainha, ao invés de pedir divórcio com toda a delicadeza, usava o método tradicional: a guilhotina. Cortava a cabeça da mulher e nem guardava o corpo para aproveitar como ameaçou o Genaro, esposo da Maria Chiquinha que tinha ido “cortar lenha” no meio do matagal.

Dentro de uma semana, seria comemorado o aniversário natalício de Ana da Áustria. Linda, completaria 26 anos e não parecia ter mais do 25. Ajudando na organização da grande festa, o Cardeal se aproximou do rei e deu a sugestão fatal que era o objetivo de seu plano:

- Se Vossa Majestade me permite dar um pitaco nesta festa, eu acho que sua esposa, a rainha, deveria comparecer ao baile exibindo sua jóia mais preciosa. Aqueles alfinetes de cabeça de diamantes que deixariam os convidados invejosos das provas de amor que o Rei oferece à Rainha de França.

Luiz XIII achou que era uma grande idéia. Afinal, uma preciosidade comprada em Ciudad Del Leste não era para ser escondida num cofre. Mandou chamar a rainha e deu-lhe a ordem de usar o caríssimo presente. Ela estava sendo observada pelo Cardeal que trazia um sorriso cínico nos lábios, até porque não havia outra parte do corpo com a qual pudesse sorrir. A rainha curvou-se e foi se afastando de costas. Chorou, chorou até ficar com dó dela mesma como se fosse um Caubi. Fechou-se em seu quarto. Tomou um calmante, um excitante, um bocado de gin.

Mandou chamar secretamente o seu amigo Sr. De Tréville. Ah! As intrigas da Corte...

 

 

Intrigas? Esse é um barraco do tamanho do engarrafamento na Marginal de Pinheiros quando cai um cacho de bananas do caminhão dos feirantes.

 

 

 

 

 
"Sous le ciel de Paris"
Capítulo XX
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