Sous le ciel de Paris
 
 

Assim se passaram dois meses

Capítulo XIX

          

Quando a rainha leu o bilhete apaixonado do Duque de Buckingham, percebeu que debaixo da feijoada havia carne seca. Deveria ser uma armadilha do Cardeal Richelieu. Mas era secretíssima. Tanto que nem os garçons do palácio, que geralmente ficavam por dentro de tudo, porque enquanto iam e vinham trazendo a comida ouviam trechos das conversas e sabiam o que iria acontecer.

Assim se passaram dois meses e D’Artagnan ainda não conseguira se avistar com o Sr. De Tréville. O Chefe da Guarda estava sempre ocupado. Estava sempre em reuniões, ou viajando pelas províncias. Darta já não agüentava mais ver a cara da secretária com aquele sorriso amarelo, arranjando uma desculpa para impedir sua entrada na sala do amigo de seu pai. Mandou flores, levou caixas de bombom, disse palavras galantes, mas a secretária do De Tréville não era muito chegada em homens e nós não temos a ver com suas preferências sexuais.

O fato é que ele continuava desempregado. Terminara de dar o curso intensivo de como ganhar as mulheres sem fazer força e os três amigos foram tentar por em prática a teoria. Naquela noite, Athos jogava todo o seu charme em cima de Brigitte:

- Sabe que os teus olhos parecem duas estrelas brilhando no céu de sua alma?

- O que é isso, Athos? Está me estranhando? Que papo de estrelas é esse?

- É a conseqüência da inspiração que você provoca nos poetas.

- Sei não! Essa é uma frase que o seu amigo Dartinha me diz toda a vez que precisa de uma moeda de ouro. Mas pra você não. Vá trabalhar.

Na outra mesa Porthos tentava impressionar Claudette:

- Se mil vidas eu tivesse, mil vidas eu viveria buscando a luz do seu sorriso para iluminar meus dias.

- Tá maluco Porthos? Que coisa ridícula. Reagiu Brigitte dando uma gargalhada sarcástica.

- Você está rindo dos meus sentimentos?

- Não Porthos. É que toda a vez que o Dartinha precisa de uma meda de ouro ele diz essa mesma frase aos meus ouvidos. Eu me derreto toda...

E numa mesa mais ao fundo, Aramis punha em prática o que aprendera no cursinho, falando com ternura para Michelle:

- Eu queria ser um vestido de seda para envolver com suavidade o seu corpinho que me endoidece.

- Aramis? Você está bebado? Está querendo ser vestido de seda ou usar um?

- Estou querendo mostrar a você que sei dizer frases bonitas.

- Ah! Deixa disso. A última vez que Dartinha veio com essa história de vestido de seda, me levou duas moedas de ouro.

Os três amigos disfarçaram e saíram das mesas. Foram se encontrar no banheiro da taverna para tomar uma decisão:

- Esse gascão de uma figa não pode continuar vivo!

 

 

Será que D’Artagnan escapa outra vez da fúria dos três amigos? Ou seriam os três ex-amigos sedentos de sangue?

 

 

 

 
"Sous le ciel de Paris"
Capítulo XIX
Carregando, aguarde por favor...
   CAMINHOS PARA A LUZ®           Art by   >> Ramon George Alle <<           Novela - Sous le ciel de Paris - Capítulo XIX               www.caminhosparaluz.com