Sous le ciel de Paris
 
 

No balanço da carruagem

Capítulo XVI 

 

Na noite escura a carruagem de Lady Clark corria pela estradinha e passava jogando poeira nas roupas de um jovem que trotava com seu cavalo manga-larga preguiçoso. O rapaz deu um grito e partiu pra cima da carruagem. Muito viva Lady Clark colocou a cabeça para fora da janela dizendo que estava sendo seqüestrada e que aqueles homens queria matá-la. O rapaz, irritado com a poeira que sujara sua roupa, tirou a espada e gritou:

- Um por todos; todos por um!

Foi uma bobagem porque ele sozinho deveria ter gritado com toda força de seus pulmões:

- Eu por mim; mim por eu!

Os soldados do Cardeal que conheciam a frase e sabiam que ele era um dos homens do Rei, pularam da carruagem e saíram correndo pelas matas. Abandonaram Lady Clark à sua própria sorte. E bota sorte nisso. Lá ficou a linda mulher que tanto o encantara, só e indefesa na frente de quem? Você disse D’Artagnan? Puxa! Como é que você sabia? Darta espantou os cavalos e Lady Clark estava sentada no interior da carruagem. Ele se apresentou:

- Sou D’Artagnan da Gasconha. E serei um soldado do Rei Luiz XIII!

Lady Clark sentiu um tremelique, quase um desmaio. Uma sensação que lhe pôs a cabeça a andar à roda. Ela ouvira todas as narrativas de Jeanne, Brigitte, Claudette e Michelle.

- Você é o Dartinho?

- Em carne e osso!

- Pois eu sou Lady Clark em osso e carne. Mas a carne é fraca ma cherie.

- Mas a minha é forte. Respondeu D’Artagnan.

No apertado banco da carruagem que lembrava o assento traseiro de um fusquinha nada mais foi dito e nem perguntado. E tome polca no balanço da carruagem. Polcaram a noite toda até que o galo cantou e iluminou a carruagem. Darta pegou Lady Clark e colocou-a delicadamente na garupa de seu cavalo. Levou-a até ao palácio do Duque de La Trémouille onde ela residia.

- Prometa que você virá ver-me novamente. Implorou Lady.

- Sim. Virei. Se eu tiver condições. Estou desempregado e...

- Quanto você precisa?

- Cinco moedas de prata quebram um galho.

- Tome cinco de ouro!

Feliz da vida, Darta vinha fazendo o caminho da volta quando ouviu três vozes gritarem seu nome ao mesmo tempo.

- D’Ar... Tan... Nham...!

Devem ser os três tenores!

Pensou Darta

– Que bom ouvir Pavarotti, Plácido e Carreras ao vivo.

 

 

Serão mesmo eles?

 

 

 
"Sous le ciel de Paris"
Capítulo XVI
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