Como vier, três palitos
Capítulo XV
Enquanto a carruagem se afastava do palácio levando a linda Lady Clark, tão feliz quanto Rubinho quando os homens o deixaram ganhar a corrida, no salão as intrigas continuavam. Lady, antes de sair havia combinado com Caterine, sua cúmplice em todas as maldades, de entregar um bilhete ao Duque de Buckingham para se encontrarem nos jardins. Mais uma vez a Sibipiruna ouviria coisas que se Sibipiruna falasse daria uma novela da Globo. O Duque estava nervoso e ansioso e Caterine se aproximou:
- E Então?
- Em respeito à rainha não posso lhe dizer as coisas que eu sei, meu Duque.
- Mas... Lady Clark me contou confidências que a rainha lhe havia feito e que você saberia e iria me revelar. Escrevi uma carta para a mulher do rei e ela disse que você, Caterine, iria entregá-la.
- Eu a entreguei. Mas a rainha pede que o senhor compreenda que ela está numa situação, digamos, romarionesca. Com cara de vaca atolada. Não pode lhe dar esperanças porque, embora ache o rei um mala, não quer se arriscar a um escândalo. No, entretanto, pediu-me que lhe entregasse isto...
O Duque ficou eufórico recebeu os três alfinetes de diamante. Era a prova de que Ana da Áustria não o queria querendo, como dizia o heróico Chapolim.
- Olhe, Caterine. Estas jóias são uma prova de que a rainha ta muito a fim de minha excelência. Uma prova de amor. Se ela me manda três alfinetes, agora pra mim como vier, são três palitos...
- Três palitos? O que vem a ser isso, amado Duque?
- É um jogo muito conhecido no Brasil. Chamam de porrinha. E joga-se com três palitos de fósforos.
- Fósforos? O que vem a ser isso?
- Caterine.
Interrompeu o Duque já aborrecido
– Estou falando de ciência. Você como cortesã não vai entender nada. O que importa é que a rainha eu em breve estaremos juntos. Nem que para isso, a Inglaterra tenha que arrasar a França.
Na noite escura a carruagem corria pela estradinha e passava jogando poeiras nas roupas sabem de quem?
