Sous le ciel de Paris
 
 

 

O Drama de Jacqueline

 

Capítulo II

 

 

- Eu vou me matar se você fizer isso!

D’Artagnan ficou pálido ante a reação inesperada de Jacqueline. Para ele não seria surpresa quando chegasse aquele momento. Já havia conversado com ela várias vezes sobre sua decisão de deixar a Gasconha e seguir rumo a Paris. Seu sonho era pertencer ao grupo onde se destacavam Athos, Porthos e Aramis.

- Eu vou me matar se você fizer isso! Dizia Jacqueline transfigurada com os olhos arregalados como se estivesse possuída por uma força do mal.

Em vão D’Artagnan (Darta para os íntimos) tentava contornar a situação, mas Jacqueline queria mesmo era chamar a atenção de toda a vila. E conseguiu. Uma a uma as janelas de todas as casas foram se abrindo, embora já se passavam das nove horas da noite e a temperatura estivesse abaixo de zero.

- Nunca vi Jacqueline nervosa assim!

Dizia uma senhora ao marido que também chegara à janela

– Ela e Darta sempre se deram tão bem.

Ao perceber que as pessoas estavam observando, Jacqueline aproveitou para demonstrar sua capacidade como atriz. Subiu ao patamar onde se situava a fonte que fornecia água potável à comunidade. Ficou melodramática.

- Vou morrer, pois não saberei viver sem o seu amor. Vou morrer pois não suportarei essa ausência. Um punhal, um pequenino frasco de veneno, uma corda amarrada a uma árvore e em poucos momentos você estará inteiramente livre para fazer o que bem entender, meu amado D’Artagnan. Se seu desejo é deixar-me aqui, abandonada e infeliz, eu saio de sua vida. Eu saio da minha vida.

E colocando a mão sob o coração fazendo o gesto como o de quem o arrancava do peito, disse com voz trêmula, mas bem colocada.

- Toma. Se vai embora, leva contigo este músculo cardíaco que não poderá mais bater se você não puder ouvi-lo.

De todas as janelas, os vizinhos aplaudiram entusiasmados a linda cena e a interpretação convincente de Jacqueline. Romeu e Julieta ao vivo e em cores na pracinha da fonte. Darta apenas sorriu e deixou Jacqueline agradecendo aos aplausos. Foi para casa arrumar as poucas coisas que teria que levar na longa viagem à Paris. E uma a uma as janelas foram se fechando e o silencio voltou a reinar na pequenina vila da Gasconha.

 

 

Conseguirá o jovem Darta realizar o seu sonho? E Jacqueline? Suicidará-se mortalmente, vindo em conseqüência a falecer? Mais emoções no inédito capitulo III.

 

 

 
"Sous le ciel de Paris"
Capítulo II
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