
Vingança em curso
Capítulo XXVII
A vingança foi à herança maior que o pai de Aretamas, a Grega, lhe havia deixado. Até porque ninguém na Grécia sabia quem era o pai de Aretamas. Para arquitetar um mal irresistível ao seu algoz, Átila, ela pediu que chamasse às escondidas ao palácio, ele, o super Távios, O Futurólogo:
- Meus Deuses. O que fizeram de você? Você está vestida com trapos malcheirosos.
- Isso não importa. Ninguém nem percebe meus trapos de escrava quando vão tirando minhas vestes. O que querem é o meu corpo escultural. Mas eu não o chamei aqui, Távios, para falar de roupas. Tu que sabes tudo sobre o futuro, tu que afirma as coisas que virão e acontecerão em outros milênios... Diga-me qual será a maior tragédia nos próximos meses que abalará o Império Romano
- Meses não Aretamas. Estamos vivendo os últimos dias de Pompéia.
- Como assim? A linda e populosa cidade que é a pérola do Império está em perigo? Um incêndio?
- Um vulcão. O Vesúvio. Não sobrará nada debaixo de suas cinzas e de suas lavas.
Aretamas, a Grega, sorriu feliz. Era de uma coisa dessas que ela precisava. Agora Átila iria ver com quem ele havia se metido. Naquela noite, três bárbaros foram até a cozinha onde Aretamas, enrolada em trapos, dormia junto ao fogão que a aquecia.
- Acorda Borralheira! Gritou um deles
- Átila mandou que tu te banhasses, use teu melhor perfume e vá para o quarto dele. Ele está tão desejoso de tuas carnes que fez uma coisa que há dois anos e meio não fazia.
- Disse que amava uma mulher?
- Não tomou um banho na sauna.
Quando Aretamas, perfumada e nua de toda a sua vaidade entrou nos aposentos que antes eram dela e agora era o ninho de Átila, ele não se conteve:
- Eta, mulher gostosa. Vem escrava. Vem e façamos nhéque nhéque até que o dia venha afugentar todos os nossos tesões.
Aretamas deitou-se. Átila a possuiu de frente, de costas, de lado, de cabeça pra baixo. Que potência, ele acabou ficando finalmente meigo como um gatinho e foi à hora de Aretamas fazer a proposta:
- Átila. Vamos passar este fim de semana em Pompéia?
- Pra que? Eu lutei tanto para conquistar Roma o que vou fazer numa cidadezinha do interior?
- Tu não conheces Pompéia. Nem tu nem teus bárbaros. As ruas são calçadas com ouro. As mulheres são tão lindas que lá eu seria uma bruxa, queimada na fogueira. Vamos sexta e voltamos segunda em nossos caixões.
- Em nossos o que?
- Ah Foi distração minha, Atilinha. Eu queria dizer nossos carroções.
- Tudo bem. Mas Aretamas, o dia já vem raiando. Levanta vai fazer café. Antes porém vamos pra penúltima.
- Mas vai ser a sétima esta noite?
- E o que tem? Átila é Huno só no título. Uma noite estive doze vezes com uma mulher.
- Doze vezes? E ela agüentou?
- Agüentou. Claro que agüentou.
- Quem era ela Átila?
- Não sei o nome. Mas meus bárbaros soldados a chamam de Calendário. Vai de janeiro a dezembro.
Além de seu desejo ardente, ardia tudo e Aretamas, a Grega suportou com firmeza a oitava da noite. Só tinha o seu pensamento para o fim de semana em Pompéia. Se Távios disse que haveria o vulcão em toda a sua força, Átila ficaria mais queimado do que Clélia e Aurélia no banho turco sem água. Sem desconfiar de nada, Átila decretou feriado na sexta-feira e assim teria três dias no fim de semana prolongado. Arrumou o carroção, separou seus melhores bárbaros e foi enfrentar a Via Pompéia, que tinha uma fila de bigas. A Rádio JovemRoma estava com seu helicóptero irradiando o congestionamento de seis quilômetros.
Será que Aretamas conseguirá chegar exatamente no dia em que o vulcão vai fazer igual à gente viu no filme e devorar Pompéia, a linda cidade do Império Romano que ficava perto do campo do Palmeiras?