Os Devassos de Roma
 
 


 

 

Com o rei na barriga

 

Capítulo XXV

     

Após ter cantado uma canção da sacada do palácio enquanto Roma era incendiada, Nero tomou uma taça de vinho misturada com cicuta que Coriolano lhe ofertou e morreu como passarinho. Imediatamente o Senado se reunia para eleger o novo César. As lideranças do PIN e do POB se uniram e derrotaram fragorosamente a bancada do PNR, partido de Nero que estava no poder. E elegeram com facilidade seu novo imperador. Escolheram Augusto César e o chamaram para comunicar a decisão. Ele quase caiu de costas e tentou escapar:

- Eu? Mas logo eu? Afaste de mim esta barrica de vinagre.

- Mas amado Augusto. É uma honra ser o novo César.

- Honra coisa nenhuma. Que má idéia essa de matarem Nero. Eu vou pegar o império em chamas e com os bárbaros já tomando toda a Roma Oriental e entrando nas nossas fronteiras. Eu agradeço muito, mas não aceito o cargo.

Estava criado um empecilho que os senadores não entendiam. Já haviam visto senadores renunciarem aos cargos para escaparem de serem atirados na arena do Coliseu e voltarem depois eleitos pelo povo, mas um indicado a imperador não aceitar o cargo era novidade. Foi quando entrou pelo senado adentro, com uma pose de deusa sagrada, Aretamas, a Grega e disse:

- Já elegeram o novo imperador? Pois podem deseleger. Eu sou a nova ocupante do Trono.

- O que é isso?

Disse Bestratos Fiel, o líder do Governo.

- Quem você pensa que é para entrar assim aqui no Senado dando ordens? Parece que tem um rei na barriga.

- Pois é isso mesmo!

Respondeu Aretamas.

- Eu sou a nova imperatriz porque tenho um rei na barriga. Estou grávida de Nero e tendo um filho dele que será o novo César conforme demonstra o DNA. Eu ficarei no trono até ele completar a maioridade.

- E quando ele completar a maioridade? Indagou Bestratos.

- Então eu o matarei e continuarei a imperatriz.

Augusto achou boa idéia e concordou:

- Isso mesmo. Deixem que Aretama, a Grega seja a nova imperatriz. E livrem a minha cara.

Larapios Scabrosin, líder da oposição concordou e Túlio Stensor, presidente do Senado teria que resolver o problema. Alguém sugeriu que trouxessem Cleópatra para ser a rainha do império Grego-Romano já que ela demonstrava muita vontade de fugir do Cairo que estava numa crise danada, porque um tal de Moisés havia conseguido como castigo para aquele povo, as Sete Pragas do Egito:

- Cleópatra não pode vir esclareceu Túlio Stensor. Ela se meteu com uma cobra...

- Ora, Presidente. Cleópatra sempre gostou de uma cobra e se deu muito bem com elas! Argumentou Bestratos.

- Mas a cobra que eu estou falando não é essa que vossa excelência está maliciando. Foi uma serpente que deu uma picada no seu seio e ela veio a falecer ao dar entrada no hospital.

- Morreu?

- Se ela não morreu deve estar muito chateada meu caro Augusto, porque está fechada dentro de um sarcófago há mais de seis meses.

- Então, se Augusto não quer e Aretamas está com um rei na barriga vamos elege-la imperatriz. Estamos em segunda votação. Quem aprovar continue como está. Como ninguém se mexeu, aprovado por unanimidade. Determinou Stensor.

Ainda linda, gostosa, atraente e dominadora a malandra da Aretamas conseguiu o que desejava. Era agora a Imperatriz de Roma e o povo, ameaçados pêlos atos terroristas dos bárbaros não estavam nem ai. Queria era mesmo encher a cara de vinho, fazer amor de madrugada, de manhã e de tarde e viver enquanto Roma apagava o incêndio provocado por Nero. A RomaCaixa lançava um plano para a construção da nova cidade, com financiamentos vindos dos reinos dominados e ainda não ocupados pelos bárbaros. Era três horas da madrugada, embora o relógio de Sol estivesse apagado, quando o guarda-noturno gritou “Três horas. Horário de inverno. Tudo calmo tudo se...” Não terminou a frase porque no “reno” levou um paulada na cabeça. Os bárbaros estavam invadindo Roma.

 

 

Tinha que acontecer. Os bárbaros que vinham comendo Roma como mingau quente, pelas beiradas, chegaram finalmente às imediações do palácio.

 

 
 
"Os Devassos de Roma"
Capítulo XXV
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