
Revelada a farsa da Cleópatra
Capítulo XXII
Os egípcios não se conformavam com a volta de Cleópatra de Roma, com seus lindos cabelos loiros. O Egito jamais teria uma rainha de cabelos cor de mel. E quando o Sumo Sacerdote fez as perguntas à rainha e ela errou todas, do meio do povo que se concentrava em frente do Templo, uma mulher romana que trabalhava como cozinheira de um dos navios da frota de Marco Antônio gritou:
- Eu conheço essa mulher!
Foi um espanto geral O Sumo Sacerdote mandou que a mulher subisse ao alto da escadaria:
- Mulher que gritas do meio do povo tão ousada afirmação! Se tu conheces esta que aqui está, em nome de Osíris, revele para que todo o Egito e Oriente Romano fique sabendo a verdade. Quem é esta loira que se diz ser a sétima Cleópatra?
A romana fez pose para os fotógrafos da revista “La Verita Me Fa Male”, olhou para o povo que aguardava com ansiedade então pousou seus olhos nos olhos de Cleópatra e afirmou:
- Essa mulher é Aretama, A Grega! O povo egípcio fará "Oh" quando souber de toda a verdade!
Essa era a grande revelação. Aquela mulher havia pintado os cabelos de loiro, e seqüestrou a verdadeira Cleópatra em Roma e enganou a César e a todos os grandes homens do Império. Marco Antônio ficou com cara de vaca atolada e entre as palavras da falsa loira e da romana cozinheira, mas acreditou que a verdade estivesse com ela. O Sumo Sacerdote mandou que os guardas do Templo lavassem os cabelos da mulher e saiu toda a tinta que naquele tempo não era tão perfeita. Então, linda como sempre, gostosa como sempre, morena como sempre, surgiu ante aos olhos da multidão, Aretama, A Grega, em toda a sua formosura. Marco Antônio prometeu ao povo do Nilo que iria a Roma levando Aretama e que traria a verdadeira Cleópatra para ocupar o Trono. E assim o fez. Nero tinha assumido o trono e o Senado exigia uma CPR para apurar os fatos. Aretama foi jogada no fundo de um cárcere e condenada a enfrentar um leão na grande festa do segundo aniversário do Coliseu. Mas enquanto não chegava a data, todos os Legionários, os gladiadores e até mesmo os senadores disfarçados de mercadores entravam na fila da penitenciária romana para gozar as delicias dos braços, do corpo, das pernas de Aretama, A Gregra, a mulher mais desejada de todo o império. Após uma excelente investigação, os legionários descobriram o cativeiro de Cleópatra numa casa que ficava a poucos metros do palácio de Nero, e a levaram até sua presença. Nero que era um grande artista pegou sua lira e fez para Cleópatra sua maravilhosa canção que cantou no terraço do palácio para que o povo todo ouvisse e aplaudisse. Dizia a canção: “Cleópatra, mulher de mil encantos. Olhos de cereja, boca de mamão, nariz de abacate. A ti eu canto esta canção. Ó mulher de mil encantos.” A Rádio JovemRoma gravou e tocou a semana inteira. Nero ganhou um Disco de Platina.
Ainda ontem, o homem de branco que toma conta do hotel onde Resido veio até minha cela para dar-me uma injeção. Ele quis saber o que tanto eu escrevia em minhas folhas de anotações. Mas eu não disse. Tudo o que fui descobrindo sobre a vida do Império Romano através das galerias subterrâneas da companhia de Luz & Força de Roma, onde trabalhei anos como eletricista apenas para aproveitar as escavações e descobrir documentos e revelações sobre aquela civilização ninguém lerá. Gravarei tudo em fitas cassetes e só depois de minha morte, eu permitirei que sejam relatadas. Não adianta o homem de branco com suas injeções e seus choques elétricos tentar desmentir tudo o que fui descobrindo, porque um dia, o mundo conhecerá a verdadeira história dos romanos e sua vida devassa. Loucos são eles que acreditam em velhas histórias que só servem para promover o turismo. Mas eu, Ramon George Alle Du’Bois, sei das coisas. Eu tenho a verdade. Só eu tenho os detalhes do relacionamento em entre Roma e o antigo Egito. Então chegou o dia em que Aretama, a Grega iria enfrentar o leão no Coliseu. Ingresso só nas mãos dos cambistas. Soaram as trombetas.
Nós já sabíamos que essas trombetas iam soar. Tomara que seja pela última vez porque não há saco que agüente. Aretama num canto, o leão do outro. Quem vencerá? Sabe que eu não sei?