
O mistério da Cleópatra loira
Capítulo XXI
Marco Antônio não estava entendendo bem porque Cleópatra, ao chegar no Egito, disse que só sairia do navio à noite, quando estivesse bem escuro. Mas não desejava contrariar a deliciosa mulher que esperava ter entre almofadas, sem almofadas, porque, como viesse, seriam três palitos. Ele entendeu que seria desagradável para ela ir para Roma com um marido e voltar com outro. Então, na calada da noite (quando as noites ainda eram caladas) os dois, envoltos em mantos, entraram no palácio real. Hathor, um dos guardas do templo, ficou abismando quando viu Cleópatra loira. Mas havia um solene compromisso de não revelará nenhuma pessoa os segredos palacianos, até porque poderia perder a língua. Por isso, ficou em silencio até quase ao amanhecer. Quando o galo cantou em homenagem ao Deus Amon Ra, ele não agüentou e comentou com um dos escravos o fato. Escravo falava mais do que o homem da cobra e em meia hora, toda a cidade do Cairo e até em Alexandria, o povo comentava que Cleópatra estava loira.
Os Sacerdotes tiveram crises nervosas. Da marginal do Nilo todo o povo cochichava “loira”, “loira”. O cochicho foi tão grande que acordou todos os faraós que estavam em seu sono eterno dentro de seus sarcófagos. A Deusa Osiris se revoltou. Saíram das catacumbas as múmias de Tutakamon Quéops Quefrén e Miquerinos e falaram ao povo. O Sumo Sacerdote foi para o Templo e discursou:
- Jamais o Egito teve uma Cleópatra loira. O Grande Deus Rá que brilha no céu e, tem gente que chama de Sol, jamais permitiria uma rainha loira. As Cleópatras sempre foram e serão morenas gostosas e abundantes em sua missão de dar o melhor de si para o povo. Tragam essa mulher até aqui.
Marco Antônio foi para porta do templo com seus soldados romanos e mandou baixar o cacete. Os Legionários entenderam que era pra levantar e passaram a fazer amor com todas as egípcias que estavam no caminho. Foi uma bacanal pública que fazia as pirâmides tremerem igual geleia. Nunca o Egito foi tão Romano quanto naquele tempo. Terminada a farra, os legionários caíram exaustos e foram procurar as sombras das árvores para dormir. Cleópatra saiu do palácio usando um turbante e foi ter com o Sacerdote:
- Por que o senhor me persegue?
- Porque tu és uma Cleópatra loira.
- Mas eu sou Cleópatra Sétima, Rainha do Egito e de todo o Oriente romano.
- Vamos ver se é verdade. Disse o Sumo Sacerdote. Vou fazer três perguntas e se você responder corretamente provará que és Cleópatra que voltou de Roma. Primeira pergunta O que é íbis?
- Íbis é um time de futebol que não ganha de ninguém. Afirmou Cleópatra.
- Errou! Berrou o Sacerdote e o povo repetiu em coro: “Errou”. O Sacerdote fez a segunda pergunta:
- Do alto dessas pirâmides quantos séculos contemplam o Egito?
- Dois meses Respondeu Cleópatra.
- Errou! Gritou o Sacerdote e o povo repetiu: “Errou”.
- E vamos para terceira pergunta. Determinou o Sumo Sacerdote.
- Diga Cleópatra Qual é o segredo da esfinge?
Cleópatra não entendia nada desse assunto. Foi quando do meio do povo, uma mulher romana que trabalhava de cozinheira num dos navios gritou:
- Eu conheço essa mulher!
Ainda bem que está enrolação já está no fim. Tomara que essa mulher traga alguma coisa emocionante para a gente!