Os Devassos de Roma
 
 


 

 

Cléo em Roma

 

Capítulo XIX

     

     

Não se falava em outra coisa em Roma, a não ser na visita de Cleópatra, a rainha do Egito, em companhia de Júlio César, o Conquistador. César, que sucedia a Calígula no trono do Império, tinha conseguido melhorar muito a vida dos seus súditos. Criou a Bacarroma, empresa responsável pelos Bacanais da cidade, que impusera uma tabela de preços para as mulheres, de acordo com a idade. Os homens do povo adoraram porque podiam pegar uma mulher de 28 anos e pagar apenas 28 dinares. E com essa lei, as mulheres ao invés de diminuir a idade, aumentavam. Assim. Uma jovem escrava fenícia, de 22 anos, afirmava por todos os deuses que tinha 37 anos. Faturava mais e os homens não se importavam porque era um brotinho lindinho de primeira. César também havia determinado que no Coliseu o povo só pagaria um dinar por escravo morto. Se um leão ou gladiador negasse fogo e o escravo saísse andando da arena, o povo tinha direito a restituição do que havia pago.

Desde cedinho, a Via Apia estava com suas calçadas lotadas para assistir ao desfile que acompanharia a rainha Cleópatra do navio até a tribuna de honra onde estavam César e as demais autoridades. Abrindo a grande parada vinha a Comissão de Frente, composta da Velha Guarda dos Gladiadores. A seguir a ala dos escravos persas, que era uma novidade, pois a Pérsia havia sido conquistada recentemente. E num carro de destaque oriental, vinha Sheherazade que tinha sido contratada para o próximo web-novela que estreará brevemente. Passava depois a Banda dos Legionários com suas trombetas. Sempre as malditas trombetas! A seguir o bloco da Casa Di Irene, com suas mulheres nuas saudando o povo, as autoridades e pedindo passagem. Numa biga gaúcha, as churrasquinhas, Clélia e Aurélia. E num carro alegórico feito de ouro maciço, vinha Júlio César mostrando com orgulho sua cueca egípcia de fabricação própria que custava uma nota. E então, após a passagem dos mais belos e fortes gladiadores, num carro em formato de pirâmide, encerrava-se o desfile com a beleza, graça, charme e simpatia de Cleópatra. A mulher mais bonita que os romanos já haviam visto desde que Aretama, A Grega, havia fugido para não ser jogada no caldeirão de óleo fervente. César não podia revogar uma lei feita por outro César e a pena estava em vigor mesmo com o triste fim de Calígula.

O povo foi à loucura. Cleópatra era uma loira estonteante. E muito inteligente. Tão inteligente que embora legalmente fosse escrava dos romanos, desfilava como uma rainha.

César recepcionou Júlio César com alegria e este correspondeu:

- Ave César. Permita-me apresentar Cleópatra, a Rainha do Egito.

- É linda! Exclamou César.

- Por favor, Cléo. Suba até aqui junto ao meu trono.

Cleópatra subiu as escadas de madeira com graça, uma insustentável leveza de ser gostosa e o povo delirava. O povo delirava e os senadores conspiravam. Queriam convocar uma sessão extraordinária do Congresso para dar umas punhaladas em Júlio César e ficarem com Cleópatra para uso exclusivo do Senado. César mandou que levassem Júlio César para a Casa Di Irene saborear Aurélia e levou Cléo para o palácio. Já estava tudo preparado. César que tinha 78 anos de idade estava animadíssimo. Fazia amor todas as noites com os soldados da guarda palaciana, mas achou que com Cleópatra a coisa iria funcionar. Eram poucas as loiras que ele já havia visto na vida, porque os germânicos não tinham sido conquistados pelos romanos e as raras loiras que vinham da Gália eram logo arrematadas nos leilões de Coriolano. Cleópatra tirou túnica, mas César teve uma decepção.

 

 

Por que César teria tido uma decepção? O que foi que ele viu em Cleópatra que Júlio César não tinha visto?

Ah! Que coisas sensacionais estão reservadas para o próximo capítulo...

 

 

 
 
"Os Devassos de Roma"
Capítulo XIX
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