
Nasce a cueca
Capítulo XVIII
Enquanto em Roma a vida continuava aquela maravilha, porque as Legiões comandadas por competentes generais iam dominando um a um os reinos por este mundo afora e o Império Romano estava ainda na fase de ascensão, César e seus amigos só pensavam em duas coisas: sexo e mulheres.
Dinheiro não faltava, e escravos para os trabalhos sujos estavam sobrando, o circo Coliseu dava espetáculos grandiosos todas as tardes e aos sábados e domingos tinha sessões às 10, 13 e 16 horas. Os leões já estavam tão gordos e empanturrados que nem desejavam mais comer escravos gauleses e etíopes. Por isso, foi a fase áurea dos gladiadores que passaram a ser os artistas mais pagos do mundo. Viviam em lindas mansões nas colinas de Roma, tinham mulheres e rapazes à vontade, bigas importadas puxadas por lindos cavalos árabes brancos e criavam modelitos de armaduras que deixariam Joãosinho Trinta morrendo de inveja.
Já no Egito, para onde Júlio César tinha sido mandado, a vida era mais pacata. Provinciana. Os egípcios só pensavam em construir pirâmides e templos e como não tinham condições de manterem mulheres e vinhos, viviam a contemplar o Deus Ra, os Faraós que já não mais existiam e estavam todos em seus sarcófagos de ouro, embalsamados. Sacerdote eram um dos bons empregos que o reino poderia oferecer e uma classe muito prestigiada. Nem os romanos os incomodavam. Era governado pela sétima Cleópatra e o assunto preferido eram as fofocas sobre os amores da linda rainha, que não ia a lugar nenhum sem estar acompanhada da mãe, mas a mãe ia a qualquer lugar. Sem muito que fazer, Júlio César exercia o cargo de interventor e, para não negar sua raça de romano autêntico, só pensava também em duas coisas; mulher e sexo. Mulher, no momento era Cleópatra. E sexo, isso ela variava.
Quando despertou pela manhã depois da primeira noite com a bela do Egito, vestiu sua farda de general e o saiotinho que deixava parte da bunda à mostra; Cleópatra sabia que os romanos, como os egípcios, não usavam roupas íntimas. Eram túnicas ou saiotinhos de couro recortado. Chamou Tamon Kuecas, o maior rival de Klodovicius, que era o grande costureiro de Roma e pediu que criasse alguma coisa para ser usada por baixo do saiote de Júlio César. Tamon criou uma calcinha, que ficou muito bem em Cleópatra e uma espécie de calçãozinho, obra prima de sua criação, que aprovou 100%. Essa foi à origem das Kuecas, mais tarde generalizada como cuecas. Júlio César ficou tão entusiasmado, que desfilava ante aos soldados só com ela.
A primeira cueca nunca se esquece. Bom comerciante, Júlio César montou uma fábrica de cuecas e fez um sensacional desfile de lançamento no próprio Coliseu Romano. Até César aderiu á nova vestimenta, embora usasse túnicas que iam do pescoço aos pés. E baixou uma Medida Provisória proibindo escravos de usarem a peça íntima. Estes inventaram uma variação, a qual deram o nome de sambão. Vem daí o termo samba-canção e que mais tarde se tornaria uma música muito popular em determinado país do Novo Mundo.
Orgulhoso de haver conquistado o Egito e de ter criado a frase publicitária “a Kueca é uma Dádiva do Nilo”, Júlio César resolveu atender aos insistentes pedidos de Cleópatra de passar as férias em Roma. O boboca nem poderia imaginar o problemão que iria arranjar. Mas Cléo queria porque queria e quando ela queria ninguém resistia. E marcou a viagem a Roma. Havia uma lei no Livro dos Faraós, que proibia a viagem de rainhas para fora do país. Os Sacerdotes tentaram impedir a viagem, como determinava o livro. Júlio César ficou nervoso e mandou botar fogo na biblioteca de Alexandria e assim acabou com todos os livros egípcios. E seguiram para as orgias, bacanais, bebedeiras e noitadas de Roma.
Cleópatra em Roma. Era só o que faltava. O Senado ficou em polvorosa. Mas César também estava a fim de uma noitada com a rainha da terra dos faraós e ordenou uma recepção oficial. Vai babar.
Sim, esta da cueca foi meio forçada. Mas você não perde por esperar as aventuras de Cléo em Roma!