Os Devassos de Roma
 
 


 

 

Sauna sem água

 

Capítulo XV

     

   

Depois de saber algumas coisas sobre o Brasil, um estranho país que, segundo Távios, O Futurológo, iria existir muitos milênios após o Império Romano, Calígula queria mesmo era que o homem dotado dos raros poderes de adivinhar o futuro lhe desse alguma idéia sobre uma invenção que agradasse ao seu povo e o tornasse uma figura eterna da História de Roma. Távis fez algumas sugestões.

- Grande César Vossa Excelência poderia criar o telefone. Seria útil e proveitoso para todo o Império.

- E o que é o telefone?

- É um aparelho com o qual as pessoas podem falar umas com as outras sem terem que ver a cara um do outro. Coloca-se um aqui no Palácio, ela terá um disco cheio de números. Vós discais um e conseguirá falar com Marco Antônio lá no Egito. Não precisará mais enviar mensageiros montados em cavalos e que demoraram semana para chegar lá após longa viagem de galera.

- Isso é uma bobagem. Imaginem eu falando sem saber quem está do outro lado. Pode ser um inimigo e ficar sabendo todos os nossos segredos. Que outra coisa viu no futuro, Grande Távios?

- A televisão. Uma caixa que tem gente dentro e canta, dança, conta as fofocas e ainda mostra novelas maravilhosas.

- O que são novelas?

- São histórias que fazem o povo chorar.

- Bobagem Távios. Para chorar, o povo já me tem. O que eu vou fazer o povo deste Império chorar, vai transbordar as águas de todos os rios. Vou inventar o dilúvio!

- Sinto muito, amado Calígula. Mas o dilúvio já está registrado e patenteado. Melhor seria inventar as enchentes na marginal do Tiête.

- Nunca. Carlitos Datenus poderá ficar mais popular do que eu. Vou fazer uma coisa que me deixará famoso para todo o sempre. Traga o meu cavalo. Vou nomeá-lo Cônsul Romano.

Enquanto isso, na sede da Guarda Pretoriana, o carrasco escolhia para torturar Clélia e Aurélia o maligno “Banho Turco Sem Vapor”. Era uma das mais recentes invenções romanas para tortura agradável e capaz de fazer com que qualquer pessoa confessasse que fora ela quem riscou um fósforo perto do Vesúvio nos últimos dias de Pompéia. Os romanos haviam descoberto o Banho Turco na Turquia. Se fosse na Pérsia seria Banho Persa. Mas o haviam modernizado. Faziam grandes caixas de pedra, enchiam de brasas e colocavam em cima enormes latões de água. Quando a água fervia, o vapor tomava conta de toda a sala e deram a isso o nome de sauna. O Banho Turco Sem Vapor se constituía em colocarem as brasas e toda a lenha nos buracos de pedra, sem colocar água em cima para fazer a sauna. Pegavam a vítima e jogavam em cima da brasa. Mais tarde os gaúchos, um povo do Sul do Império, descobriram que poderiam jogar bois na brasa e inventaram o churrasco.

Foi uma tortura horrível. Clélia e Aurélia ficaram mais de duas horas no Banho Turco Sem Vapor. Quando o carrasco achou que as duas já estavam bem passadas, as tirou da máquina de tortura e as mandou para casa. Elas estavam torradinhas e com queimaduras de primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto graus, além da cobertura com sala, três quartos sendo um suíte, copa, cozinha, dependências para escravos e piscina. Os romanos misturavam anúncios de Banho Turco com lançamentos de apartamentos. Ainda não haviam criado os publicitários.

Em sua linda vivenda, Aretama, a Grega, trancava todas as portas e janelas e temia pela chegada dos homens que iriam jogá-la no caldeirão de óleo fervente. Bateram palmas no portão. Um dos escravos foi atender e levou um susto. Eram Clélia e Aurélia, torradinhas como emendoins. Queriam falar com Aretama. Tramavam uma vingança contra Duílio, o Fofoqueiro.

Calígula indagava aos seus Legionários se as duas cortesãs haviam sido torturadas. Quando soube que foram submetidas ao Banho Turco sem Vapor, disse a famosa frase que foi escrita na parede da Casa Di Irene: “Se elas já eram gostosas cruas, imagine assadinhas...”

 

 

Será que Calígula está a fim de transar com as duas bem passadas? Sei lá. Esse cara tinha umas idéias tão loucas que fariam até Luxemburgo voltar à seleção.

 

 

 

 
 
"Os Devassos de Roma"
Capítulo XV
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