Os Devassos de Roma
 
 

 

 

 

 


 

Rei morto, rei posto

 

Capítulo XIII

     

  

 

Quando César chegou ao Senado Romano já sabendo que havia um plano para matá-lo, estava prevenido para tudo. Menos para encontrar Calígula a esperá-lo de braços abertos logo no topo da escadaria. Mesmo assim, entrou confiante no plenário. O senador Horácius Espetadouros deu a primeira punhalada. Começou o empurra-empurra para que cada senador desse sua punhaladazinha enquanto Calígula gritava:

- Calma pessoal! Que tem César pra todo mundo!

Moribundo, mais cadáver do que imperador, César ainda teve tempo de perguntar onde estava Brutus. O senador Horácius respondeu com desprezo:

- Brutus matou outro César. Não você, seu burro. Vê se morre logo que a sessão precisa ter início.

César exalou o último suspiro e faleceu complemente sem vida. Imediatamente o Senado começou a votação do novo César enquanto um mensageiro levava a notícia para a Rádio JovemRoma de que César havia morrido de um ataque de sinusite.

O Senado elegeu Tibério como novo César. Mas Tibério que estava assistindo das galerias as punhaladas no imperador assumiu o cargo ao soar das trombetas (como soavam essas trombetas) e fez um rápido discurso;

- Senhores senadores, povo de Roma. Ao assumir o honroso cargo de novo César, meu primeiro desejo é o de renunciar, que eu não sou besta. Passar bem. Beijinho, beijinho, tchau, tchau.

E se mandou em disparada pela porta dos fundos. Assim, o Senado precisava nomear outro César. Tatiana, a escrivã, pegou a pasta onde estavam os currículos vitaes dos candidatos a César e leu:

- Temos aqui Caio César Augusto Germânico, filho de Germânico e Agripina, a Antiga. Jovem, bonito e psicopata.

- Tá bom. Tá bom.

Precipitou-se o senador Horácius e colocou o nome do candidato em votação. Quem estivesse de acordo permanecesse como estava e o nome foi aprovado por unanimidade.

- Mas quem é esse tal de filho de Germânico e Agripina, a Antiga?

- É o Calígula! Responderam todos em coro.

Foi uma grande mancada do senador Horácius, mas agora não dava mais para se arrepender e Calígula assumiu o cargo de Imperador. Ele agradeceu, suspendeu a sessão, chamou os Legionários e foi para o Palácio Imperial. Chegou lá e encontrou a mulher de César. Deu uma gargalhada:

- Então você é a mulher do César que além de ser honesta ainda tem que parecer honesta? Prazer em conhecê-la. Vamos para as almofadas. Sou Calígula, e pode me chamar de O Casado.

Ali mesmo, na presença de todos, levantou a saia da mulher de César e mandou brasa. Assim que terminou seu ato de posse, olhou para ela e disse:

- Foi bom pra você? Pra mim foi horrível.

- Você se afobou meu adorado Calígula, O Casado.

- Pode me chamar de Calígula, O Viúvo.

Disse essa frase e meteu a espada na barriga da imperatriz. Mandou que jogassem o cadáver junto ao de César e dissessem ao povo que a ela era tão honesta que se suicidou para não trair nem o defunto.

Calígula ordenou que fizessem um lindo enterro de César e da mulher, com o povo na rua chorando enquanto a Escola de Samba, Unidos do Império Romano desfilaria encerrando o cortejo fúnebre com o samba-enredo “Já Vai Tarde César Que Calígula Vem desacatar na Sapucai”.

Para comemorar sua posse do trono, Calígula determinou que todos os bacanais do Império ficassem abertos três dias e três noites e tudo grátis para o povo. Os romanos e as romanas beberam tanto vinho, mas tanto vinho, que eram obrigados a ir para a praia e se desapertar todos ao mesmo tempo. Foi quando surgiu o até hoje conhecido Mar Vermelho.

Calígula chamou seus assessores e mandou que publicassem uma edição extraordinária do Papiro Oficial determinando que o novo César queria fazer amor com todas as mulheres romanas, casadas, solteiras, viuvas ou simpatizantes.

 

 

 

Será que o jovem agüenta mesmo? Moço, bonito e psicopata ninguém duvidava. Por isso, como ele irá passar o próximo capítulo cumprindo essa importante missão, vamos publicar amanhã o CD – Capítulo Duplo. Uma lição de História...

 

 

 
 
"Os Devassos de Roma"
Capítulo XIII
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