Os Devassos de Roma
 
 

 

Time Bandido

 

Capítulo XI

     

 

 

Ser ou não ser traído pelas mulheres, não era lá uma coisa de alta relevância no Império Romano. Até porque quando o marido saía de casa temendo pela fidelidade da esposa, obrigava-a a usar um Cinto de Castidade, que a atrapalhava em certos momentos. Mas se impedia a saída do que deveria sair, impedia a entrada do que não deveria entrar. Mesmo assim, César convocou o Conselho Imperial e todos se admiraram quando, na presença do mesário Coriolano, Aurélia, a Cortesã revelou que havia ouvido de Aretamas, a Grega, a declaração de que a mulher de César transava com Scipião, o Mercador. Coriolano pergunta à queima-roupa:

- Scipião, o Mercador. És amante da mulher de César?

- Como eu poderia ser amante da imperatriz se toda a Roma sabe que, a mulher de César não deve ser somente honesta, mas tem o dever de parecer honesta?

César ficou visivelmente aborrecido em ouvir pela milésima vez essa frase sobre a mulher. Tatianas, a estenógrafa da Comissão pediu licença e indagou a Coriolano:

- Perdoe, senhor. Mas milésima a gente escreve com “s” ou com “z”? Outro dia grafei gazes com “z” e o povo de Roma se revoltou, afirmando que gazes é com “s”. César fez um sinal com a mão e explicou:

- No meu Império ainda não houve a implantação da nova ortografia Os gazes que meus Legionários soltam são com “z”. Assim sendo, eu decreto que milézima seja também zeificada. Prossigam.

Ante a negativa de Scipião, Guaicurus interveio e solicitou que trouxessem à corte, Aretamas, a Grega. César aproveitou e indagou a Guaicurus.

Acontece, porém, que todos os ilustres membros do Conselho Imperial, todos os senadores da República Romana, César e todos os generais, tinham se envolvido ou ainda sonhavam se envolver com Aretamas, a Grega, a jovem de vinte anos mais gostosa, mais bonita, mais desejada de todo o Império. Para livrar a cara de todos, Fabius Clucius, membro da Comissão Imperial pediu vistas do processo por 24 horas e assim todos respiraram aliviados. A sessão foi suspensa e se aproximava a hora de iniciar o espetáculo no Circo Coliseu, onde estrearia os famosos Gladiadores que lutariam os escravos vindos do Cairo, e muito bem preparados por Philipe Scolarium, um treinador de muita fama.

O Coliseu estava lotado. O povo que não sabia nada sobre a reunião da Comissão Imperial e o debate sobre a honestidade da mulher de César, estava impaciente porque, enquanto o Imperador não chegasse, não se iniciaria o espetáculo. Os Gladiadores, com suas armaduras de aço, rede de cordas, espadas de dois gumes e um tridente diabólico, aguardavam o início da luta contra os escravos egípcios, que vinham armados de cara e coragem, usando apenas uma tanguinha e confiando muito nas palavras do treinador Philipe Scolarium, de que as lutas de gladiadores-arte estavam fora de moda e por isso o que valia era ficar na defesa até que os romanos se cansassem e então os escravos tivessem a sorte de acertar um bom golpe e empatassem a luta. Então soaram as trombetas. César com sua coroa de louros que escondia os chifres que já começavam a ficar visíveis assumiu seu lugar na Tribuna de Honra. A torcida foi à loucura. Entrou o primeiro gladiador sob os aplausos da galera entusiasmada. E do outro lado, o escravo vindo do Cairo treinado por Scolarium.

Disse o Gladiador:

- Ave César Em nome de Roma te saúdo.

César fez um sinal de positivo.

- Ave César. Os escravos te saúdam.

César irritou-se e acusou:

- Tá errado, mísero escravo. Diga a frase certa.

- E qual é a frase certa, ó palhaço dos palhaços?

- A frase certa é “Ave César. Os que vão morrer te saúdam”.

O escravo sorriu e indagou:

- Já está de fogo há essa hora, ó meu?

A trombeta determinou o início da luta.

Os primeiros dez minutos foram de estudo do adversário. O Gladiador fazia que atacava, mas não atacava. O Escravo fazia que se defendia, mas se defendia. Algumas vaias já eram ouvidas no setor popular das arquibancadas.

 

Até que enfim um pouco de ação nesta monotonia romana. A bolsa de apostas era totalmente favorável aos gladiadores. Nós também não levamos muita fé nesses escravos, mas...

 

 
 
"Os Devassos de Roma"
Capítulo XI
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