Fofoca sempre, foi fofoca Capítulo IX
Quando a bacanal promovida socialmente pela bela Aretamas, a Grega foi invadida pelos Legionários da Tropa de Choque, por ordem expressa de César, e o pau comeu na casa de Noca, o presidente do Senado Tulius Stensor pensou que seu mandato iria assustar aos soldados romanos. Levou uma porretada no cocuruto que viu todas as estrelas e galáxias do Império em plena dez horas da manhã. Depois do vendaval, digo pancadaria, com a mesma rapidez que chegou, os Legionários se mandaram tocando as sirenes de suas bigas. Foi nessa hora que o Duílio, o Fofoqueiro chegou esbaforido ao palácio de César e solicitou uma reunião com o imperador. César o recebeu na sala do trono e quando Duílio se apresentou foi logo dizendo:
- Não precisa dizer nada, Duílio. Eu já sei das notícias. Mandei os Legionários da Tropa de Choque acabarem com a bacanal dos senadores.
- Ave César Pensei que vossa divindade não sabia de nada.
- Claro que sei. Os senadores querem me assassinar amanhã.
- Ora César.
Retrucou Duílio
- O divino dos divinos não sabe do mais grave.
- O que é pode acontecer de mais grave do que esses corruptos senadores armarem uma cilada para me matar?
- Ó divino dos divinos, ó estrela mais brilhante do que o Sol. Ó relâmpago das tempestades mais molhadas. Eu tenho notícias muito mais importantes do que um simples e rotineiro assassinato de mais um imperador romano nestes tempos em que vivemos. E por isso estou aqui novamente. Aurélia, a Cortesã contou-me um segredo que vai lhe dar muita dor de cabeça.
- Ora, Duílio O que é poderia me dar mais dor de cabeça do que minha morte seguida de meu falecimento?
- César, eu tenho o coração feito em pedaços.
- Já sei. Hipócrates fez-lhe uma cirurgia de safenas!
- Não, ó divino. A notícia de Aurélia é muito mais grave.
- Fala logo, homem. Eu tenho que trabalhar. A vida de um Imperador é a eterna dedicação ao seu povo, aos seus problemas, às suas viagens. O que foi que lhe disse Aurélia, a Cortesã?
- Ela revelou que sua mulher, a imperatriz, tem um amante.
- O que??? Minha mulher colou-me um par de chifres???
- Eu não disse que o senhor ia mesmo ter uma dor de cabeça? E em dose dupla.
- Mentes, Duílio, O Fofoqueiro. Minha mulher é honesta!
- É o que dizem em toda a Roma, ó rosa dos grandes rosais.
- E minha mulher parece honesta.
- Também é o que dizem em toda Roma, ó pureza das purezas.
- Quem é o amante de minha mulher?
- Ó divino das divindades associadas. Aurélia disse-me que é Scipião, o Mercador.
César ficou vermelho de ódio. Depois amarelou e só quando pegou aquela cor verde foi em frente e bradou:
- Se Aurélia estiver mentindo eu mandarei cortar-lhe a língua. E se for verdade, por ter me dada esta terrível notícia, eu mandarei que cortem outra coisa de ti, Duílio.
- Que outra coisa César? Eu apenas vim lhe revelar o segredo com a mais pura das intenções. Não quero que me corte uma orelha que ouviu tão infame notícia!
- Deixa de ser besta, Duílio. Eu não mandaria cortar sua orelha. Vão é cortar-te outra coisa. Prepara-te para fazer xixi sentado!
Dito isso, César mandou que chamassem a imperatriz à sua presença. Ela estava junto à fonte, dando de comer aos passarinhos em sua pureza angelical. E sem pensar em nada de mal, caminhou rumo à sala do Trono. Estava linda, com aquele sorriso de mulher honesta que ainda por cima parece honesta. Ajoelhou-se e disse:
- Ave César, tesão dos meus tesões. Homem dos meus dias e macho das minhas noites. Aqui estou e se me chamas para fazer amor, vamos amar com o fervor de noivos em noite de núpcias, com o ardor de quem vai por vez primeira ao Motel da Via Azzura...
Pobre imperatriz. Ela nem pode imaginar qual a notícia que seu marido irá lhe dar no próximo intrigante capítulo.
Ou será César, o Manso? A curiosidade mata.