Os Devassos de Roma
 
 

 

Quando povo fala, ou é, ou foi ou será!

 

Capítulo VIII

     

 

Enquanto Aretamas, a Grega, entretia os senadores na grande bacanal, num canto discreto conversavam Clélia e Aurélia. Eram duas cortesãs muito respeitadas em Roma. Clélia, alta e bonita e Aurélia uma mulher que, segundo Távios, o Futurólogo, se vivesse no futuro seria chamada de “popozuda”. Ambas sonhavam em acabar com o reinado de Aretamas, que realmente estava atrapalhando a vida de todas as cortesãs romanas, monopolizando desde o palácio de César até o tráfico de escravas, que sempre fora dominado por Guaicurus, um frio, gelado e insensível capo que dominava o mercado, mas não atrapalhava a vida das promoters de bacanais. Ele sabia que elas representavam sua fonte de renda. Não era como Aretamas que só pensava nela, nela e mais ninguém do que ela. Clélia disse entre os dentes:

- Precisamos dar um jeito de acabar com a alegria dessa grega.

- É verdade concordou Aurélia. Talvez Coriolano desse um jeito de fazer com que ela aparecesse com a boca cheia de formigas na estrada del Bosco.

- Não. Sem violência, Aurélia. Temos que agir com sutileza. Quem sabe se começássemos a espalhar que Aretamas anda dizendo que a mulher de César tem um caso com Scipião?

- Ora, Clélia. Toda a Roma sabe que a mulher de César é honesta.

- Sim. Mas não basta ser honesta. É preciso parecer honesta.

- Esse é outro ponto. Ela parecesse honesta. Mas não custa nada tentar. Vou espalhar a fofoca na bacanal desta noite.

E se assim disse, assim fez Aurélia. Aproximou-se de Duílio, o Fofoqueiro, grande amigo de Bestratos, o Fiel e com um sorriso malicioso nos lábios, até porque não há sorrisos que não sejam nos lábios, soltou o veneno:

- Sabes a última novidade que ecoa pelas vias de Roma, Duílio?

- Não! Não sei. Conta logo, Aurélia.

- Vou contar. Mas se você disser que fui eu, eu desminto na sua cara.

- Conta Aurélia. De seus lábios só se ouve a verdade cristalina das fontes que nascem entre as montanhas.

- Pois lá vai, Duílio. Corre à boca pequena que a mulher de César está tendo um romance abrasador.

- Com quem? Com quem? Fala mulher! Não me mate de curiosidade. Quem conseguiria penetrar a caverna secreta da mulher de César?

- Scipião, o Mercador.

- Duílio caiu na gargalhada. E retrucou:

- Ora Aurélia. Arranja outra. Toda Roma sabe que a mulher de César é honesta e, além disso, ela parece honesta.

- Pois é aí que está o marketing que o palácio faz. Podes crer Duílio. Scipião anda penetrando nos domínios de César. E sabe quem enfiou essa idéia de enfeitar a testa do divino? Foi Aretamas, a Grega. Ela fez a cabeça da mulher de César e protege Scipião.

Duílio, o Fofoqueiro quase saiu correndo ao encontro de Bestratatos, o Fiel. Foi quando as sirenes das bigas dos Legionários da Tropa de Choque soaram na porta do Bacanal. Foi um alvoroço. Tulius Stensor, presidente do Senado levantou-se e esperou os legionários entrarem no recinto. Assim que a Tropa de Choque entrou baixando o cacete em quem estava e em quem não estava lá, Tulius permaneceu em pé em atitude ameaçadora e disse:

- Parem com isso imediatamente!

Um dos legionários berrou:

- Cala a boca palhaço.

- Palhaço? Eu? Indignou-se Túlius. Você sabe com quem está falando?

Quase não termina a frase. Levou uma porretada na cabeça e caiu de joelhos. E então começou a pancadaria.

 

 

Legionários da Tropa de Choque quando entram pra valer, é fogo. E ainda querem vir com a conversa de quem em Roma não havia violência. Era porrada de legionário com porretes privativos de legionários mesmo.

 

 

 
 
"Os Devassos de Roma"
Capítulo VIII
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