Presença de Aretamas Capítulo III
Assim que Távios, o Futurólogo recebeu o seu dinheiro e saiu dos aposentos de César, a linda Aretamas, a Grega, que ouvira parte da conversa e maliciosamente fingira que continuava dormindo, indagou:
- Como é Ó Divino Vamos fazer uma sacanagem ou não vamos? Você toma um porre danado, cai na cama, dorme e me deixa na mão?
- Sabe de uma coisa.
Respondeu César.
– Você não me enche o saco senão te jogo para os leões. Eu tenho que me preocupar com a estréia do meu Circo Coliseu Romano porque eu sei que ele vai durar mil anos.
- Teve um cara de bigodinho engraçado que disse isso e o circo dele duraram seis anos...
- Quem foi que disse isso?
- Pergunte para o Távios que ele sabe.
- E como é que você sabe.
- Intuição feminina, meu caro Césinha.
- Vista-se e suma.
- Você está me mandando embora?
- Sim. Desapareça. Estou de ressaca e preciso da companhia de Escamoteo, o Lacaio. Ele me compreende e trata de mim quando amanheço com esse gosto de cabo de guarda-chuva na boca.
- Já entendi, Césinha. Bem que eu desconfiava dessa sua túnica bordada e cheia de babadinhos. E depois o tamanho de sua faquinha já diz tudo.
- Faquinha não, mulher. Eu sou espada. Eu sou espada.
Aretamas deu uma risada cínica e desabafou:
- Onde foi que eu errei?
Em Roma não se falava em outra coisa naquele dia. A inauguração do Circo Coliseu chamava a atenção dos ricos, remediados e pobres. Era um enorme estádio que parecia o Maracanã de hoje em dia. Pelas vias da cidade, desfilavam carretas levando as jaulas dos leões famintos que estavam nervosos esperando a hora do espetáculo. Outras carretas passavam mostrando a outra atração do grande espetáculo: Os escravos vindos da Gália e da Macedônia. O povo aplaudia os leões e vaiava os que seriam comidos. Ingressos nas populares só na mão dos cambistas.
César havia convidado seus melhores amigos e parceiros de todo o Império. Até Marco Antônio que andava de rolo com Cleópatra, a rainha do Egito tinha viajado oito dias de navio para assistir a grande festa. A oposição não se conformava. Queria que o grande Coliseu fosse inaugurado com um jogo de futebol, mas Roma ainda não tinha nenhum time. Távios, o Futurólogo havia dito certa vez, que no futuro existiria um jogo em que onze homens enfrentavam outros onze homens dando pontapés numa bola, mas ninguém comia ninguém. Era um espetáculo sem graça. Mas a oposição achava que era covardia deixar os leões devorarem os condenados. Mesmo assim, a oposição era daquela teoria do “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço” e assim havia comprado camarotes na primeira fila.
O Coliseu já estava lotado às duas horas da tarde embora a inauguração fosse às quatro. Fora do grande circo, pelo menos dez mil romanos e romanas se engalfinhavam para conseguir entrar e foi preciso que fiquem, uma Legião de centuriões espantando o povo com espetadas de lança de borracha e gazes de efeito moral. Como eram devassos, não ligavam muito para esse negocio de moral e tacavam gazes venenosos na multidão. Cerca de 500 romanos feridos deram entrada no Hospital e pelo menos 3.000 deram saída pelas portas dos fundos, rumo ao cemitério.
Às 16 horas em ponto, para não atrasar a novela que passava no teatro, soaram as trombetas e César deveria chegar ao Coliseu. Em suas jaulas os leões observavam os condenados que iriam saborear. Um leão comentou com o outro:
- Aquele gordinho desce redondo.
Em suas celas, todos rezavam aos deuses romanos, menos um etíope baixinho que havia entrado por engano no meio das vítimas pensando que ali eram arquibancadas populares.
Saiba tudo sobre a grande festa no próximo capitulo. Leão na arena ou Felipão?
E o etíope?