Pão, circo e sexo Capítulo II
Ao acordar naquela radiosa manhã, César, o Divino, se viu entre a ninfeta Aretama, a Grega dormindo de ancas para a lua à sua esquerda e o lacaio Escamoteo, que vinha para lembrar-lhe ser o dia em que haveria a solenidade festiva da inauguração do grande Circo Coliseu. Indagado sobre se haveria bastantes cristãos para serem devorados pelos leões, Escamoteo surpreendeu-se, porque estavam ainda no século VI a.C. e ele não sabia o que eram os cristãos. César ordenou que fosse chamado com urgência ao palácio, Távios, o Futurólogo, o único romano que tinha o inacreditável poder de ler a sorte, saber tudo sobre o passado, presente e futuro e causava muito espanto.
O lacaio Escamoteo pegou seu cavalo e partiu a galope para a casa de Távios, o Futurólogo, que ficava na periferia de Roma. Dito isso assim parece que era um lugar cheio de barracos e onde as chacinas serviam para provocar a curiosidade do povo. Não. Não era. Na periferia de Roma estavam as Sete Colinas e eram onde se construíam as mais belas casas com dezoito quartos, quatro salas, três salões, cinco banheiros sociais, copas enormes e cozinhas que parecia o ginásio do Maracanãzinho, além das saunas mistas, onde homens e mulheres ficavam pelados suando por todos os poros. A casa de Távios era lindíssima e nela moravam oito rapazes de idade entre 19 e 22 anos, que eram seus discípulos. Eram discípulos. Mas o povo dizia que, na verdade, tinha alguma coisa a mais no relacionamento entre eles, porque na Roma antiga, os rapazinhos iniciavam sua vida sexual aprendendo com os mestres, como era hábito na Grécia, na Macedônia, no Egito e na Galeria do Amor que fazia muito sucesso na voz de Agnaldo Timóteo.
Quando César chamava, quem tinha juízo obedecia e Távios que também estava acordando, cercado por dois rapazes atléticos, meninos do Rio, dragão tatuado nos braços e que já estavam na Escola de Centuriões, zangou-se:
- Que desejas a estas horas tão matinais, lacaio.
Indagou Távios.
É apenas meio-dia.
- César precisa de uma consulta com o senhor, ó grande Távios, o Futurólogo.
- Tudo bem. César é um bom cliente Vamos lá.
E foram. E chegaram.
- Ave César. Távios está aqui.
- Ótimo, ótimo. Como vos sabeis, inaugurarei hoje o Circo Coliseu. Mas o lacaio disse que não temos cristãos pra alimentar os leões famintos que trouxemos da África. Certo dia, mestre Távios, o senhor falou sobre cristãos. O que é isso.
- Ó Magnífico César, homem dos homens, deus dos deuses, sol dos dias quentes, lua das noites estreladas. Ainda não existem cristãos porque estamos no século VI a.C. Explicou Távios.
– Eles só existirão quando chegar o século d.C.
- Mas o que é a.C?
Quer dizer exatamente, antes de Cristo.
- Ah é isso?
Exclamou César admirado.
- Eu pensava que A.C. Era Antônio Carlos, O baiano.
- Não flor dos jardins encantados. Esse erá ACM que viverá na Bahia de olho em Brasília.
- Então como é que vou inaugurar o Coliseu sem cristãos para serem devorados pelos leões,
- Usem escravos vindos da Gália, ou fiscais do imposto de renda que o povo aplaudirá o espetáculo.
- Assim será, mestre Távios. Pode se retirar.
- Pode se retirar uma ova. A consulta domiciliar custa 35 dinares.
- Trinta e cinco dinares??? Isso é um assalto!
- É o plano Vesúvio de Caio Maliguinun.
- Mandarei jogar Caio Maliguinun na arena dos leões! Disse César furioso.
César pagará a consulta?
Mandará jogar Caio Maliguinun na arena?
E como será a festa?