Odeio-te porque te amo
 
 

 

 

Vergonha em família

 

Capítulo XXVII 

 

Enquanto no cativeiro Bienvenida se entrega de corpo e alma ao jefe Aztecano, na mais arrebatadora noite de núpcias que a região já havia visto, na Casa das Esmeraldas Bienvenidas, Don Augustin aguardava a contra-proposta feita aos guerilheiros para evitar os danos do seqüestro.

- Como ficará nossa vida nesta casa, após este triste sofrimento?

Indagava Carmencita sempre curiosa.

- Imagino como Bienvenida esteja sofrendo na mão daquele bando de criminosos.

- Pela Virgen de Chacharrua. Haverá alguém que esteja sofrendo mais do que eu?

Indagou Doña Celestina chorando copiosamente.

- Minha honra foi destruída. Buáaau buáu... Sniff sniff...

- A sua ou a de seu marido?

- A minha Carmencita. Eu sempre... buáááu buáu... Acreditei que ele não soubesse nada sobre a minha traição...

E foram duas noites de jejum sexual na mansão mexicana. Quando no terceiro dia o sol começou a surgir atrás da montanha e alvorada iniciava seus primeiros raios, ainda nem bem clareava o dia ou se formara a fila do banho na porta do banheiro, uma nuvem de poeira revelou que um coche vinha se aproximando da sede da fazenda. O carro fez a volta e estacionou junto ao portão de ferro trabalhado. E dele desceu o vulgo Don Esteban que foi entrando sem pedir licença.

- Onde está Don Augustin?

- Estou aqui seu safado. O que é que você quer?

- Safado? Você? Isto é modo de receber um nobre como eu, amigo de Don Juan, o deputado provincial?

- Pare de mentir seu sem vergonha. Já sei tudo a seu respeito!

Don Augustin pegou a garrucha de três canos e intimou.

- Mostre-me seus documentos.

O homem ficou verde, depois pegou um azul marinho e manteve o rosto numa cor cinza chumbo.

- Não posso acreditar que o senhor duvida mim. Eu que vim pra cá tão preocupado em saber como está sua filha Bienvenida. Se foi libertada dos seqüestradores. Já faz duas noites que não consigo dormir.

- Oh. Vamos dormir um pouco no monte de feno logo após o café matinal!

Propôs Carmencita.

- Deve ser horrível ficar duas noites acordado.

- Nem tanto minha amiga. Eu dormi dois dias inteirinhos.

- Chega de conversa e entregue os documentos que o gatilho está coçando meu dedo... Cortou Don Augustin.

O vulgo Don Esteban entregou a carteira de identidade. E lá estava seu retrato e o nome verdadeiro: Lucas Francisco, o famoso Francisquinho Beira Rio, procurado pelas polícias de quatro países, dezesseis estados, trinta e dois municípios e cento e vinte oito comarcas, segundo as projeções do Instituto Nacional de Geografia, Estatística e Cálculos “Malba Tahan”.

Don Augustin determinou que amarrassem as mãos de Don Esteban, digo Francisquinho Beira Rio para trás e mandou Paquito ir num pé e voltar no outro até Passo de Los Tontos e trazer a Guarda Provincial.

Don Esteban ainda tentou negociar oferecendo mil dólares por sua libertação e prometendo nunca mais voltar àquela região, mas, Don Augustin soltou uma gargalhada sarcástica. Carmencita, ainda esperançosa, indagou.

- Não dava para ele ir para o monte de feno enquanto espera a chegada da Guarda? Se Paquito foi pulando num pé vai voltar pulando no outro, isso vai demorar muito tempo.

Pesando dois quilos a menos, olheiras negras embaixo dos olhos, jefe Aztecano saiu do cativeiro após a marotana sexual e pediu que Zeca Ó levasse uma bacia de água quente para Bienvenida fazer uma salmora. E quis saber qual era a resposta do pai dela ante a carta recebida. Julio Sebastian, que já havia contado a todos os companheiros a oferta de Don Augustin, acabara de ser nomeado presidente perpétuo do SSBC - Sindicato dos Sequestros de Bienvenida e Conexos narrou os fatos:

- Don Augustin disse que estava se lixando para Bienvenida porque sabe que ela não é sua legítima filha nem sangue do seu sangue. E nos ofereceu uma recompensa de dos mil dólares em cash e emprego com salário excelente para todos nós, na sua distilaria de coca escondida no meio da floresta.

- Nunca poderei aceitar uma proposta dessas de meu futuro sogro. Vou casar-me com Benvinida, por quem estou perdidamente apaixonado. Casarei com ela, matarei toda a família uma a um.

- E depois irás ao cinema?

- Não Julio. Assumirei a Casa das Esmeraldas Bienvenidas Nós moraremos no andar de baixo e eu alugo o segundo andar para todos os chacharruanos que não foram dizimados.

- Acho melhor aceitar a oferta, jefe Aztecano.

- Por que? Yo non tiengo medo. Medo es una palabra que non está me mi dicionário.

- É que se non aceitarmos virá la Guardia Provincial que tem a mania de degolar todos los bandidos.

- La Guardia Provincial? Repetiu assustado jefe Aztecano. - Zecá Ó! Vá súbito en la villa e compre um dicionário nuevo para mim que tienga la palavra medo.

Na mansão mexicana, já se podiam ouvir tambores e cornetas que tocavam um vibrante cha cha cha de Chiquita Gonzaga, uma tradicional compositora chacharruana que com sua música “Corta la Jaca” inspirou a Guardia Provincial que se epecializar em “Em corta la cabeza”.

 

 

Parece que as coisas se encaminham para um final feliz. Tanto para as personagens da web-novela como para os internautas que ficarão livre dessa narrativa. Será que a Guarda provincial não faria um servicinho extra e cortava a também cabeça de Alle Du´Bois?

 

 

 

 
 
"Odeio-te porque te amo"
Capítulo XXVII
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