Descobrindo o amante misterioso
Capítulo XXVI
No cativeiro niña Bienvenida contava às baratas que passavam pela porta e saiam pela janela, quando Aztecano Maia de Los Incas entrou com um sorriso malicioso.
- Porque o senhor está com esse sorriso de quem está muito mal intencionado, enquanto eu apenas aprecio o desfile das baratas pelo cativeiro? Indagou Bienvenida.
- Baratas? Sobre o que a senhora está falando?
- Senhora não! Senhorita. Pura, casta e virgem.
- Essas não são baratas. Esse tradutor é analfabeto. São cucarachas que tienem perninhas e podem caminar!
- Porque o senhor está trancando a porta por dentro se estamos ainda antes do almoço?
- Porque esta é uma prova de fogo. Você vai provar se é virgem ou não.
- Se meu pai souber que houve alguma violência sexual contra mim sua vingança será maligna...
- Su padre não saberá. Por favor, comece a tirar a roupa lentamiente. Suavemiente. Delicadamiente.
- Não! Não farei isso. Sou uma refém e não uma dessas.
- Usted és una refém e uma das outras. Se demorares, eu corto uma de suas orelhas e mando para su padre antes do almoço.
Guerra é guerra, pensou Bienvenida. E disse que para fazer um strip-tease legal precisava de musica. Chamaram Zeca Ó e sua guitarra. E ao som do plangente violão, Bienvenida resolveu dar um show. Primeiro a blusa com todos aqueles botões do Roberto Carlos e que foi jogada ao lado da esteira. Depois a saia. O sutiã que, seja o primeiro ou o último, a gente nunca esquece. E agora a calcinha. Wando pagaria uma nota para possuir uma calcinha como a de Bievenida. Vermelha, com o desenho de um coração e a frase bordada em letras amarelas “Entrada de serviço”.
Aztecano mandou que Zeca Ó se retirasse e começou a tirar a roupa. Violentamente se atirou sobre Bienvenida e gemeu. Bienvenida ficou feliz e disse:
- Sou uma mulher que faz o homem gemer sem sentir dor!
- Sem sentir dor coisa nenhuma e a maldita câimbra na perna esquerda.
Niña Bienvenida surpreendeu-se:
- Câimbra? Então Era você quem invadia os meus aposentos quando os passarinhos acordavam nos ninhos?
- Sim. E quando meu passarinho já estava acordado as coisas não davam certo.
- Canalha! Berrou Bienvenida.
Zeca Ó abriu a porta e indagou:
- Me chamou señorita?
- Não ignorante. Você não é o único canalha que existe por aqui.
- De fato somos doze, informou Aztecano. E dê o fora Zeca Ó! Gritou no que foi rapidamente obedecido.
Agarrou Bienvenida, segurando seus pulsos começou a fazer amor e a jovem ainda relutou e o ofendeu.
- Canalha. Pare com isso. Pare com isso canalhinha... Pare com... Mordeu o travesseiro e disse num suspiro.
- Para não... Para não meu canalhinha...
A entrega total. Agora Bienvenida sabia quem era o delicado estuprador que tanto a fazia sonhar. E disse docemente.
- Odeio-te!
- Por quê?
- Porque te amo Aztecano.
Bateram na porta. Mas que hora mais imprópria. Era Julio Sebastian. Os dois amantes se cobriram com a blusa que tinha botões e ordenaram a quem batesse que entrasse. Agora não era mais preciso segredo. Julio Sebastian entrou e ao ver Bienvenida e Aztecano abraçados exclamou.
- ¡Oba! Estoy ai nessa boca. Tambien quiero!
Desistiu quando viu o jefe pegar a metralhadora de uso etc.etc.
- Senhor, tiengo la resposta de Don Augustin.
- Oh! Isso muito me interessa Aceitou nossas exigências?
- Non chefe. Mas temos uma proposta muito melhor.
- Tudo bem. Como ainda temos mais dois dias para resolver o assunto, vá embora Julio que eu e Bienvenida ainda temos o que fazer...
- Isso. Isso Você traz a lenha pro meu fogo acender.
Até hoje contam a história de Bienvenida e Aztecano que ficaram três dias fechados no cativeiro e queimaram toda a lenha de parte da floresta sobre protestos de ambientalistas do mundo todo que se manifestaram através cartas, fax e e-mails. Dizem que é apenas uma lenda, mas há uma sala no Arquivo Provincial de Passo de Los Tontos com mais de duzentas caixas de papelão repletas de correspondência.