Verdade revelada
Capítulo XXV
Julio Sebastian montou em seu manga-larga trotador e seguiu para a Casa das Esmeraldas Bienveidas. E Aztecano, cheio de novas esperanças ante as revelações do vulgo Don Esteban, foi para o cativeiro de Bienvenida. Vamos por partes. Julio chegou à casa de Don Augustin e bateu palmas no portão, porque lá não havia campainha. A escrava Chumatela, que estava saindo do banho, enrolou-se numa toalha e foi atender. Pediu que esperasse e comunicou ao patrão que estava lá fora um sequestrador. Recebeu ordem para fazê-lo entrar e ao fazer um gesto brusco, a toalha escorregou de seu corpo e foi ao chão. Ah! Que imagem: Morena de corpo escultural, fresquinho, ainda molhado pela água do banho. Ficaram o seqüestrador e o patrão parados, olhos vidrados. Chumatela maliciosamente abaixou-se para pegar a toalha. Deu um sorriso e envolvendo o corpo com a classe de uma profissional de strip-tease, se retirou da sala. Os dois homens se entreolharam e com o mesmo desejo ficaram imaginando coisas. Mas voltaram de novo a Terra.
- O que é que o senhor quer? Indagou Don Augustin.
- Trago esta carta de mi jefe Aztecano.
Don Augustin pegou o envelope e abriu. Estava datilografada, coisa estranha porque naquela região só quem tinha máquina de escrever era o escrivão de polícia de Passo de Los Tontos. E leu a missiva que dizia: “Caro senhor Don Augustin. Cordiais saudações. Esperando que todos estejam gozando de boa saúde, participo-lhe que sua filha Bienvenida se encontra em nosso poder, num cativeiro com relativo conforto. É nosso dever informar que, para devolvermos sua filha, desejamos como resgate às seguintes condições. 1) Que o senhor passe a escritura de toda a sua fazenda com as respectivas plantações de “alface” e todas as benfeitorias que tenham sido feitas em nome de Don Lucas Francisquinho Beira Rio. 2) Daremos o prazo de três dias para o senhor se mudar e ir procurar outro local para morar com sua família e nunca mais voltar a esta região. 3) Caso ao contrário, nós seremos obrigados a tomar medidas enérgicas como: cortar as duas orelhas, dois braços e duas pernas de sua filha para vender para uma clínica especializada em transplantes. Esperando contar com sua colaboração, desde já, agradecido, (a) Lucas Francisquinho Beira Rio.”
Don Augustin terminou a leitura, sentou-se numa poltrona e pediu cinco minutos para pensar. Não sabia quem era Lucas Francisquinho. Pensou um minuto, dois, três, quatro, cinco. O patriarca da família Ybarra y Ybarra então deu a resposta:
- Vocês podem fazer o que bem quiserem com Bienvenida pois eu sempre soube que ela jamais foi minha filha. Ela é filha da traição de minha mulher com um tirador de leite que trabalhou comigo logo depois que nos casamos. Eu é que não vou trocar a minha fazenda, as minhas alfaces e tudo o que tenho por uma filha de paternidade contestada. Tenho uma proposta para o senhores
- Pois não. Estou aqui para ouvi-la.
- O senhor é casado?
- Sim. Soy casado e tenho mulher e oito filhos.
- E quantos são os que fazem parte do bando?
- Atualmente somos doze. Jefe Aztecano matou um de nossos companheiros. Todos casados com muitos filhos e desempregados.
- Pois então digamos que eu dê a cada um dos senhores 2 mil dólares e um emprego na minha usina de destilaria de alface é pegar ou largar senão...
- Senão o que señor?
- Chamo la Guardia Provincial e ela acaba com a vila dos senhores. Não ficará um só chacharruano vivo para contar a história. Suma e leve meu recado.
- Mas señor... Não foi isso que foi combinado com Don Esteban.
- Don Esteban Mariño Então é ele o autor dessa bagunça toda?
- Acho que falei demais. Don Aztecano vai cortar minha língua. Don Augustin. Por favor, aceite a regras do seqüestro.
- Eu? Don Augustin aceitar uma besteira dessas, suma daqui antes que pegue minha garrucha de três canos.
Ao ouvir falar na garrucha mais temida do México, Julio Sebastian correu, pulou no cavalo e sumiu no meio da poeira da estradinha.
No cativeiro, niña Bienvenida contava as baratas que passavam pela porta e saiam pela janela, quando Aztecano Maia de Los Incas entrou com um sorriso malicioso...