Odeio-te porque te amo
 
 
 

O nome da coisa

 

Capítulo XXIII

  

 

No cativeiro, abandonada à sua própria sorte (ou seria azar?) Bienvenida conseguiu dormir sobre a incômoda esteira, quando a porta do local foi aberta e em plena escuridão entrou um homem e a acordou com um toque macio. A linda jovem não enxergava quem fosse e indagou:

- É você?

- Yo quiem?

- O homem que me ataca nas madrugadas?

- Non señorita. Por favor. Yo seria incapaz de una atitude dessas. Yo soy apenas um guerrilheiro cuidadoso e non quiero que tu escapes del cativeiro.

Dizendo isso, pegou uma corda grossa e forte que trazia e passou pelo corpo de jovem imobilizando-a. Quando ela tentou gritar, colocou fita adesiva em seus lábios e tapou sua boca. Deixando a moça sem poder se mexer, sorriu satisfeito e foi embora do cativeiro. Fez tudo isso naquela escuridão o que deixava sua ação ainda mais macabra. Tão macabra que Bienvenida pensou até que fosse dar bode. E deu... No dia seguinte.

As almas dos dois homens e um motorista cantavam quando pela janelinha do avião viram Nova York. Pista chegando, água brilhando e lá foram eles aterrar. Estavam de volta para grande maçã e agora só faltava ir até a estátua da Liberdade e prender o bandoleiro Aztecano. Foram. Aquele monte de turistas andado pela estátua e nada de Aztecano. Então embarcaram para Washington DC e se apresentaram ao chefe do FBI para entregar o relatório. Disse o chefe com aquela pose de personagem de filmes do 007:

- Acharam o bandido?

O agente Phillips respondeu com um misto de humildade e medo de perder o emprego:

- Non chefe. Non conseguimos, pois ele fugiu para Nova York e não é fácil encontrar um chicano em Nova York. E também não encontramos a moça que o senhor disse.

- Moça? Que moça que eu disse?

- A tal de Maria Juana.

O chefe ficou rubro, depois negro, com cara de urubu parecendo uma flâmula do Flamengo:

- Que moça que eu mandei dois homens e um motorista do FBI ir buscar no México?

- Já disse. Señorita Maria Juana que consta de nossa ordem de serviço nº 193.377/231-B.

- Seus estupidos. Aprendam a ler. Vejam o que está escrito.

- Maria Juana é o que está escrito, chefe.

- Não, não! Está escrito que era para apreenderem o guerrilheiro com Marijuana.

Os dois homens e o motorista tremiam feitos a uma vara verde. Se tremessem feitos a uma vara verde e amarela, pareceriam jogadores da seleção na frente do Ricardo Teixeira. O agente Morris arriscou:

- O senhor está dizendo Marijuana? Tudo emendado como endereço de internet?

- Sim sua besta. Sua anta.

- I’m sorry sir. Mas non existe Maria Juana separado. Ser um nome composto. Como Maria Luiza, Maria Abadia, Maria Aparecida.

- E como Filho de Uma Mula, que deve ser a nome de seu pai.

Vociferou o chefe perdendo totalmente a elegância.

– Você sabe o que é que chamam de Marijuana?

- Claro que sei chefe. Uma jovem filha de mexicanos.

- Ou de colombianos. Emendou Phillips tentando ajudar Morris.

Depois dos dois homens, o motorista fez que ia dizer, mas não disse nada. E o chefe berrou estremecendo todo o prédio do FBI em Washington DC:

- Marijuana é maconha. É coca. É crac. Ignorantes.

O chefe gritou tanto esses nomes dentro da sede do FBI que imediatamente tropas do exército cercaram o prédio, a SWAT invadiu o edifício e agarrou o chefe levando-o para o tribunal. O chefe foi condenado por tráfico de drogas e os dois homens acusados de traficantes do Morro do Borel, foram conduzidos para o Rio de Janeiro e de lá enviados ao Carandiru, em São Paulo, aonde vieram fundar uma empresa construtora de túneis e ganharam todas as licitações feitas pelo PCC.

Resolvido o problema dos dois homens, o motorista não foi molestado. Moral da história é que, no FBI melhor é ser o motorista e só parecer de costas nos filmes do que ser agente famoso que recebe missões impossíveis.

Como acontecia toda a vez que a noite se abatia sobre o Solar das Esmeraldas Bienvenidas, por volta das cinco horas da madrugada o sol começava a aparecer por trás da montanha e a alvorada em ráios fulgidos brilhava no horizonte nesse instante. O chefe Aztecano foi ao cativeiro e ao ver Bienvenida toda amarrada e amordaçada parecia Romário sentado no banco de reservas do Felipão.

- Santa Madre de Chacharrua! Lo que fizeram com la niña Bienvenida?

 

 

Pois é. O que será que fizeram? Será que ficou só nessa amarração? Aos poucos iremos revelando todos esses mistérios...

 

 

 
 
"Odeio-te porque te amo"
Capítulo XXIII
Carregando, aguarde por favor...
   CAMINHOS PARA A LUZ®           Art by   >> Ramon George Alle <<           Novela - Odeio-te porque te amo - Capítulo XXIII               www.caminhosparaluz.com