Virgindade ainda que tardia
Capítulo XXI
Zeca Ó, o guitarrista e Júlio Sebastian, o brutamonte, entraram no cativeiro onde niña Bienvenida estava aprisionada. Boa coisa não deveria ser. A jovem encolheu-se na esteira que lhe servia de cama. Zeca Ó disse com voz macia:
- A señorita tambiem eres cantante?
- Não senhor. Eu não sei cantar, não sei cozinhar e não sei fazer amor.
- Entonces eres ainda virgen?
- Sim. Sou virgem de pai e mãe.
- Pero, mi amigo Júlio és um bueno cantante.
E sem mais delongas fez um acordes com a guitarra e o Brutamonte cantou a linda canção mexicana “Lo Sol és Mio”. Terminou e Zeca Ó indagou:
- Gostou Bienvenida? Que lhe parecio?
- Sim gostei. Don Brutamonte es el Pavarotti del vale chacharruano.
O Brutamontes sorriu feliz. Não sabia quem era Pavarotti, mas devia ser algum chefe da máfia italiana e isso o tornou um cantante e membro da Cosa Nostra.
- Eres tu virgen de verdade? Insistiu Zeca Ó.
- Sim. Se eu não fosse não estaria viva. Meu pai já teria mandado algum de seus homens matar-me.
- Chato isso, disse Zeca Ó. Quer dizer que hoje não teremos a mesma diversão que Sarita nos proporcionou ontem por la noche de ontem? Bamo-nos, Júlio. Deste mato non vai salir coelho.
- Sei lá. De onde menos se espera pode sair uma coelhinha.
- Bamo-nos.
E sairam ambos. A mentira de Bienvenida estragou uma primorosa narrativa de sexo que seria o forte deste capítulo.
Don Augustin resolveu saber o que queriam aqueles dois homens e um motorista em sua casa. Chamou o agente Philips na sala e indagou sem rodeios:
- O que é que os senhores querem em minha casa? Sou um bom anfitrião. Nunca faltou comida, um bom vinho, um monte de feno para meus hóspedes. Mas pelo menos quero saber o que desejam.
- Yes. A senhor estar certo, mister Augustin. Para a senhor não tem segredo. Estamos atrás de uma moça que desapareceu de sua casa.
- Que eu saiba não desapareceu moça nenhuma.
- Por favor, mister Augustin. A FBI não se engana. Temos até informação de que está em poder de Aztecano, chefe dos guerrilheiros.
- Mas Aztecano é meu melhor amigo, señor Phillips. Como se chama a moça que os senhores procuram?
- Maria Juana.
- Don Augustin recebeu com alivio essa informação porque pareceu ficar claro que os agentes não sabiam de nada.
- O senhor vai nos dizer onde poderemos encontrar Aztecano, o bandoleiro. Se souber favor dizer para evitar termos que levar a senhora para a penitenciária de Alcatraz.
- Oh! Não. Não façam isso. Eu tomo um copo de qualquer coisa que tenha álcool pela frente. Mas por trás não posso aceitar.
- Então dê-nos o endereço de Aztecano e não percamos mais tempo.
- Don Augusto não teve outro remédio. E tentou fazer com que os agentes fossem para bem longe do esconderijo:
- Os senhores pegam a estradinha de terra e vão até onde há um coqueiro que dá coco.
- Mas todo coqueiro da coco.
- Nem todos, Mister Phillips. Só o nosso e o da Gal Costa. Chegando lá. o senhor quebra pra direita uns dois quilômetros e depois quebra para a esquerda até uma encruzilhada onde tem uma garrafa de marrafa, duas velas vermelhas, um galo preto e farofa de farinha de milho.
- É aí?
- Ainda não mister.
Continuou Don Augustin.
- Na encruzilhada o senhor vai pela estrada do norte até chegar numa vila chamada La Bota Del Judas. Lá tem aeroporto. O senhor pega um avião e volta para os Estados Unidos. Porque Aztecano foi visitar a estátua da Liberdade.
Os dois homens e o motorista se entreolharam. Estaria o dono da casa dizendo a verdade? Foi quando entrou muito distraída pela sala a Carmencita e curiosa como sempre perguntou:
- Don Augustin... Alguma notícia de sua filha? Os seqüestradores já pediram o resgate?
Essa foi brava. Carmencita entregou o ouro para os bandidos. Ou melhor, para os mocinhos. Como se sairá Don Augustin? Que final de capítulo emocionante para uma Web-novela que ainda no meio!