Feijoada completa
Capítulo XX
Um dos bandoleiros chega à mansão de Don Augustin e entrega a ele um envelope dos seqüestradores. Imediatamente se vira e parte a galope para o esconderijo. Don Augustin estava com aquele envelope na mão sem saber o que fazer e desabafava falando sozinho: “Quando o bandido chegou, e o meu nome gritou com uma carta na mão. Uma surpresa tão rude, nem sei como pude chegar ao portão”. Estava assim, falando sozinho, quando o agente Phillips voltando do monte de feno, o surpreendeu;
- O que ser este envelope?
- Não sei mister. Ainda não abri.
- Pois abra. Pode ser importante.
Sem ter outra saída, Don Augustin abriu o envelope. Dentro havia um pedaço de carne e um bilhete muito mal escrito que dizia “Aguarde novas ordens. Senão lhe entregamos a orelha de sua filha. Assinado: Aztecano”. Don Augustin pensou que fosse a orelha de Bienvenida, mas era uma orelha de porco. O agente do FBI quis saber o que era aquilo. Don Augustin teve que ser artista para esconder o bilhete e disfarçar. Deu uma sonora gargalhada e disse sorrindo com lágrimas nos olhos:
- É uma brincadeira de um amigo. Mandou uma orelha de porco para que façamos uma bela feijoada.
O americano sorriu e não se convenceu muito com a história, pois nunca havia ouvido falar que no México houvesse feijoada.
Aproximava-se a hora do jantar e Chumatela, que não teve nenhuma chance de passar a tarde no monte de feno, estava preparando um jantar de gala, pois tinham como visitantes dois homens e um motorista. Santiaga. Carmencita e Doña Celestina tomaram um bom banho, embora o motorista não tenha sequer tentado buscar um pouco de emoção no monte de feno nº 3, onde estava Celestina.
No quarto, enquanto se vestiam para o jantar, Carmencita mantinha sua curiosidade:
- Como foi o desempenho de mister Phillips com você, Santiaga?
- Regular. Já tive melhor. Nada que o Kama Sutra ensinou. E você? Como foi com Morris?
- Uma brasa, mora. Ele é esperto e abusado. Houve um momento que eu me senti nas nuvens. Só voltei à realidade porque tinha um galho de árvore no meu monte de feno e me catucava bem num lugar impróprio.
- Isso é muito desagradável. Uma agulha no palheiro é difícil de achar. Mas um galho de árvore...
- Pois é. Carmencita, eu fiquei com pena de Doña Celestina. O motorista não quis nada com ela. Acho que ele estava a fim de Chumatela. Mas ficou sem jeito.
Lá fora, Chumatela bateu o sino avisando que o jantar estava servido e todos se dirigiram à sala dos comes e bebes.
Anoiteceu. Lampiões e velas acesas como se fosse no Brasil daqui a alguns meses. O céu estrelado e lua em quarto minguante. Quando a lua está em quarto minguante a gente já sabe que ela está fazendo amor com a estrela Dalva. Segundo um astrônomo euro-asiático, está comprovado que a estrela Dalva tem casos amorosos com a lua em suas preferências sexuais, mas também topa uma farrazinha com Plutão, Marte e Saturno. Embora desconfie deste, com aqueles anéis todos.
E no cativeiro, a niña Bienvenida estava entregue à própria sorte ou azar isso veremos mais tarde. Sozinha no canto do barraco, ela sentia saudade de casa, dos porcos, das galinhas, do cachorro, dos passarinhos e até da mãe e do pai. Mas sofria porque não iria ter mais uma aventura de amor apressado com aquele homem misterioso que entrava em seu quarto no meio da noite. Pena que ele sofresse de câimbras e às vezes faltasse com seu compromisso de um estupro apaixonado. Foi quando Zeca Ó, o guitarrista e Julio Sebastian, os brutamontes entram no cativeiro. Boa coisa não deveria ser...
Boa coisa nunca será possível acontecer num web-novela deste autor. Mas como assinamos contrato com Alle Du'Bois. Nos infelizmente temos que suportar, e você também.