Odeio-te porque te amo
 
 
 

Policiais e monte de feno

Capítulo XIX

  

 

Dois homens e um motorista identificando-se, como policiais a casa de pedras chacharruas. Queriam falar com o dono da fazenda. A escrava Chumatela, uma moreninha muito engraçadinha, os atendeu e foi comunicar ao patrão, que se admirou:

- São da polícia.

- E querem falar comigo?

- Sim senhor. Eles não devem ser mexicanos, porque falam como artistas de cinema.

- Serão norte-americanos? Mande-os entrar.

Chumatela fez o de sempre e os convidou a entrarem. Logo a família veio para a sala e reuniu-se para ver o que estava se passando. Don Augusto os saudou:

- Sejam benvindos. Saravá para quem é de saravá e boa tarde para quem é de boa tarde.

O homem mais alto, loiro, olhos azuis, bem vestido que parecia ser o mais importante, se apresentou com seu forte sotaque norte-americano:

- Saravá and good tarde para a senhor também. Mim ser a agente Phillips da FBI. Este ser meu companheira agente Morris. E a senhor quem é?

- Eu sou Don Augustin de Felipe Ybarra y Ybarra, um criado a seu dispor.

- A senhor ser a dona da house.

- Não mister. Eu sou o dono de casa. Mas vamos entrar e sentar.

Don Augusto ficou sem entender porque não apresentaram o terceiro visitante, mas não perguntou nada. E pedindo a Chumatela para preparar um suco de abacaxi para os visitantes, indagou:

- A que devo tão subida honra da visita?

O agente Phillips respondeu:

- A nossa descida honra é para saber se a senhor conhece um bandido chamado Aztecano.

- Ah! Sim! Respondeu Don Augustin, acreditando que eles tinham vindo por causa do rapto de niña Bienvenida. Mas como queria a polícia fora do caso, logo se adiantou:

- É um grande amigo meu. Gente muita fina.

O agente do FBI não compreendeu a jogada e revelou:

- Viemos aqui para prendê-lo.

- Ora, mister Phillips. Mas por que isso? Não há nada de errado. Está tudo bem.

- No senhor. No estar nada bem. Nós queremos conversar com ele e mandar ele para o cadeira elétrica.

Don Augustin achou melhor não discutir:

- Bem, deve ser uma cadeira muito confortável no inverno. Elétrica, bem quentinha. Pena que aqui não temos eletricidade. Aliás, também não temos nem racionamento e nem multas.

O agente parecia inquieto:

- Por favor, senhor. Precisamos tratar logo da problema. Onde estar a bandido Aztecano?

- Acho melhor os senhores tomarem o suco que Chumatela está trazendo, depois um banho para tirar a poeira da estrada, até darem uma cochilada e mais tarde falaremos sobre meu querido amigo Aztecano.

- E se não quiserem dar uma cochilada, poderemos fazer coisas mais interessantes no monte de feno! Disse solícita Carmencita.

- Isso, isso! Concordou logo Santiaga.

- E aqui para mamãe não sobra nada? Reclamou Celestina.

- Claro que sim.

Disse Chumatela.

- Pois são dois homens e um motorista.

Don Augusto achou a idéia boa e mandou que o moleque Paquito fosse arrumar mais dois montes de feno. O garoto criado pela família saiu da sala resmungando:

- Tudo eu. Tudo eu, pô.

Os dois homens e o motorista foram para a fila do banho e só ficou a família na sala. Então Don Augustin explicou a todos:

- Ninguém abre a boca sobre o seqüestro de minha filha Bienvenida. Os bandidos ordenaram que deixássemos a polícia fora do caso senão fariam picadinho dela. Esses policiais intrometidos não tinham nada que vir fazer aqui.

Os visitantes tomaram banho, tomaram outro suco de abacaxi e foram levados por Doña Celestina para os três montes de feno atrás do chiqueiro. Don Augustin fazia de conta que não estava vendo nada. Os dois homens e o motorista acharam estranho. Mas o agente Phillips gostou de ver Santiaga nuazinha sobre o monte de feno. O agente Morris adorou ver Carmencita só de calcinha no outro monte e o motorista levou um susto quando viu que Doña Celestina se deitava no terceiro monte com olhares e poses insinuantes e atraentes.

Bateram palmas no portão. A escrava Chumatela foi atender contrariada. Ainda tinha esperança de ocupar o terceiro monte. Mas viu que não ia ter para ela. Foi até a porta e lá estava um dos bandoleiros com sua metralhadora de uso exclusivo dos traficantes exigindo falar com Don Augustin. Chumatela ia pedir que esperasse, mas Don Augustin se adiantou e desta vez veio para a varanda:

- O que é o senhor quer?

- Tenho este envelope para entregar ao senhor.

Entregou a encomenda, deu meia volta e saiu galopando o pangaré pela estrada empoeirada. Don Augustin ficou com o envelope na mão, sem saber o que fazer.

 

 

Sem saber o que fazer deve estar esse autor do web-novela. Mais emoções, só nos próximos capítulos.

 

 

 

 
 
"Odeio-te porque te amo"
Capítulo XIX
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