Odeio-te porque te amo
 
 
 

Madrugada erótica

Capítulo XIII 

 

 

Na linda casa em estilo mexicano não havia racionamento de energia simplesmente porque naquela região do México não havia eletricidade. O que aliás era um péssimo exemplo para muita gente que anda por aí. Assim sendo, não havia limites, nem multas e nem castigos para os usuários. Desse mal Don Augustin e sua família estavam a salvo. Então, por volta de nove horas da noite, após conversarem um pouco no alpendre, olhando o céu e contando as estrelas ao ruído do coaxar dos sapos e dos apitos dos grilos, todos já estavam deitados e a casa na mais completa escuridão.

Os móveis tomavam formatos assustadores. Pareciam fantasmas mal iluminados pelas noites de luar. Apenas um candeeiro ficava no corredor projetando as sombras assustadoras nas paredes. Ninguém saía do quarto nem para ir ao banheiro, pois sob cada cama havia um pinico ricamente ornamentado com o emblema da CBF em homenagem à seleção de futebol.

Por isso, como ainda era cedo para dormir, em cada quarto alguém estava sempre fazendo amor com alguém e aproveitando-se da escuridão, ninguém era de ninguém.

No quarto de Don Augustin, sua esposa Celestina dormia cedo e o marido seguia para os aposentos de Carmencita. Esta já o esperava rotineiramente. Antigamente o velho ia visitá-la pontualmente de oito em oito dias, mas depois que havia ganhado uma caixa de pílulas azuis da cor do mar, a freqüência aumentou. Pelo menos três vezes por semana, ele seguia para a cama de Carmencita e a ainda jovem mulher de 32 anos de idade era obrigada a suportar aquele senhor de 58 se esforçando em fazer exercícios. Carmencita alegava que passou a ser sua personal treiner e por isso exigia um aumento substancial na verba a ela destinada.

Enquanto no quarto de hóspedes Don Estebam (que na verdade não se chamava Don Estebam) recebia a visita da ajeitadinha escrava Chumatela para uma noite de amor, estava havendo uma decepção porque o ilustre visitante não conseguia ser o homem que Chumatela esperava. Don Estebam estava muito preocupado com a burrice dos seqüestradores que haviam levado como refém Sarita Montemiel, la cantante, ao invés da niña Bienvenida conforme havia sido combinado.

Em seus aposentos, a filha de Doña Celestina não se sabe com quem (porque afirmavam que o pai não era Don Augustin) continuava acordada e já começava a chorar pela demora de seu estuprador sentimental que não chegava.

Eram quatro horas da madrugada quando alguém abriu lentamente a porta dos seus aposentos...

No cativeiro dos guerrilheiros, os cinco seqüestradores (um havia sido eliminado) e o chefe Aztecano estavam reunidos ante a promessa de Sarita Montemiel que havia lhes jurado uma noite em que faria tudo.

E realmente iniciou a noite que havia enchido de expectativa cada um daqueles homens. Primeiro pediram que ela dançasse a dança da barriga. Eles batiam palminhas para marcar o ritmo e ela parecia uma bailarina de Bagdad enlouquecendo os presentes, remexendo as cadeiras, ora pra cá, ora pra lá. Depois pediram que ela cantasse. Sarita foi acompnhada pela guitarra de Zéca Ó, o músico do bando. Ela cantou “La Violeteira”, “Granada”, “Quizas, Quizas, Quizas”, “Farolito”, “Jurame” e “Cerol na Mão” que enlouqueceu os homens sedentos de amor.

Agora viria a melhor parte. Pediram que ela se deitasse enquanto organizavam a fila. O chefe deu um berro:

- Mas que diabo? Ustedes só piensam em sexo?

- Non jefe. Nós pensamos em outras cositas tambiem. Não pensamos, só em sexo.

- Entonces em que mais ustedes piensam?

- Em hacer amor, jefe.

 

 

Como Sarita conseguirá sair dessa? Ou será que ela é mesmo do balacubaco? Será uma fria ou ela entrou numa boa? Sabe que eu não sei?

 

 
 
 
"Odeio-te porque te amo"
Capítulo XIII
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