Marcas do desejo
Capítulo III
Estuprada mal iniciava o sol no horizonte por um homem forte e másculo que invadiu seus aposentos, sua jornada daquele dia, niña Bienvenida Begoña Ybarra y Barra não conseguiu ver no lusco-fusco do ambiente quem a havia levado aos píncaros do prazer.
Apenas sentiu aquele corpo que a envolvia e deixava nela o característico cheiro forte de suor. Só depois que desceu do nirvana onde o prazer a levara, Bienvenida preocupou-se. Levantou-se, banhou-se e foi para a sala onde toda a família tomava o seu café matinal. Disse um bom dia com voz embargada e sentou-se, observando cada um dos que se deliciavam com as escaldantes e os respectivos sólidos.
A escrava chacharrua de nome Chumatela, uma bela negra de olhar gazeado e lábios tentadores, menina ainda de cerca de 18 anos, servia o café. Em torno da mesa grande da sala de jantar, finamente ornamentada com uma toalha de linho branco como o marfim dos dentes de elefante, estavam Don Augustin, Doña Celestina, tio Don Juan, mano Miguelito, Don Carlos de Las Nubes, peladão como sempre, e o garoto Paquito que um dia havia chegado a casa em estilo mexicano que dominava o vale daquela região do México e acabara se infiltrado na família, por causa da bondade de Doña Celestina, que o acariciava obrigando a rachar lenha, carregar os sacos de 60 de quilos de milho que a fazenda produzia, ordenava que capinasse o matagal em torno da casa e todos os dias e trouxesse da cascata, dois latões de cinco quilos de água equilibrando-os sobre a cabeça. Paquito era amado por toda a família.
Niña Bienveninda sentou-se em seu lugar e percorreu com os olhos um por um os homens que tomavam café, tentado descobrir qual deles teria entrado em seu quarto e praticado o tão abominável e delicioso ato que até agora fazia seu lindo e escultural corpo tremer de emoção. Don Augusto quebrou o silencio:
- Minha querida filha Bienvenida. Ontem o padre Tejuano me indagou se você ainda era virgem... Disse-lhe que punha minha mão no fogo por sua pureza...
A linda jovem sentiu um forte cheiro de queimado invadir todo o ambiente... E Don Augustin continuou:
- Respondi-lhe que uma desonra dessas jamais se abateria sobre a casa de pedras chacharruanas, e que se tal coisa acontecesse eu mataria o homem que lhe fizesse mal e depois a mataria para que se casassem no céu...
Niña Bienvenida voltou a sentir o cheiro de queimado e seu pai, Don Augustin comentou que estava com uma coceira na mão, que parecia muito estranha. Era virgindade de Bienvenida que dominava o ambiente.
Terminado o café, todos se levantaram da mesa e cada um seguiu o seu rumo. Don Augustin montou a cavalo e seguiu rumo às plantações de “alface”, denominação com a qual qualificavam as extensas áreas de maconha que eram, de fato, a grande produção da fazenda e a fonte de toda a riqueza da próspera família. Bienvenida retornou aos seus aposentos e não via a hora de escurecer novamente na esperança de que o seu homem regressasse para mais uma noite de estupro sentimental. Afinal, desde que havia chegado de México City não tinha vivido nenhuma experiência sexual. Bem que poderia, quando tomava banho nua no rio ter algum caso com um chacaharruano. Ela sabia que eles ficavam escondidos atrás das moitas admirando seu corpo escultural.
Ela adorava ser admirada. Mas era preconceituosa. Não faria amor com os chacharruanos e nem com japoneses. Com estes últimos, porque tinha medo de ter um filho de olhinhos puxadinhos e não teria como explicar em casa.
Na estradinha de terra, erguia-se uma poeira, sinal de que um carro se aproximava da casa verde. Como era sexta-feira já se sabia quem era...
Saiba no próximo capítulo quem vinha às sextas-feiras visitar o solar das esmeraldas Bienvenidas. Quem está se aproximando do Solar das Esmeraldas?