Odeio-te porque te amo
 
 
 

Amor na penumbra

Capítulo II 

 

 

 

O dia amanheceu por trás da montanha, o que era habitual no vale onde se situava o Solar das Esmeraldas Bienvenidas. Interessante é que desde que nascera naquela região, a linda morena niña Bienvenida, nunca havia visto o dia amanhecer na frente da montanha. Os primeiros raios da manhã entravam pelas frestas das venezianas e pareciam ir beijar carinhosamente o rosto da jovem que acordava aos poucos de seu sono suave de donzela sonhadora.

Ela abriu seus olhos esverdeados e, ao contrário de algumas mulheres que despertam com cara de bruxas retiradas das fogueiras da Inquisição, olhou-se no espelho ao lado da cama e sentiu-se bela e muito graciosa. Os cabelos misteriosamente penteados como se já estivesse pronta para ir dançar na boate do Vampeta. Mas sentiu ao despertar que alguma coisa estaria para acontecer naquele dia que não seria rotineiro.

De repente, empurrada com força, como se fosse a ação de um demônio, a porta do quarto abriu-se ainda tudo à meia-luz, e niña Bienvenida, não distinguiu o vulto que aparecia sob o batente. Um arrepio percorreu todo o seu corpo e ela puxou as cobertas que haviam deixado seu corpo escultural sem cobertura durante a noite de sono. Fazia calor e ela resolvera dormir usando apenas a calcinha, pois se sentia segura na casa construída de pedras vindas de Chuchurraua.

- Quem está aí ?

Indagou com voz trêmula

– Responda senão eu grito e meu pai estará aqui em poucos segundos...

Foi um rápido momento e sua voz foi sufocada por um beijo ardente do estranho, que invadiu seu quarto como um raio e a dominou com a chama de um desejo incontrolável...

Beijou-a freneticamente... Niña Bienvenida tentou desvencilhar-se, libertar seus lábios de carmim, mas sentiu-se quase desfalecer ante o fogo daqueles lábios másculos que a dominaram totalmente.

A chama do desejo acendeu-se em todo o seu corpo e ela entregou-se como uma flor entrega-se à abelha que lhe suga o pólen, como a grama seca de um jardim no outono deixa-se tomar pelas gotas da primeira chuva, como Leão entregava o cargo ao Felipão.

Niña Bienvenida sentiu as mãos do homem que a dominava, tirando suavemente sua calcinha e sentiu que o seu corpo pedia aquele corpo que a surpreendia, enquanto amanhecia por trás da montanha. Agora o sol já iluminava o quarto e ela pôde admirar o corpo do homem que a possuía num misto de fúria e suavidade.

Não havia como reagir. Melhor era buscarem o prazer total. Era sentir que um homem e uma mulher quando encontram a força do amor em toda a sua juventude completam-se como uma chave na fechadura, como um limão numa limonada. Quando ela sentiu que o prazer chegava ao êxtase sublime, ele deixou dentro de seu corpo ardente a semente do milagre da vida. Levantou-se e segurando as calças, da mesma forma que entrou, saiu pela porta do quarto que dava para o corredor. Como nos acordes finais de uma sinfonia de Liszt, o sol invadiu todo o aposento da jovem, dourando seu corpo nu sobre os lençóis de cetim. A linda morena levantou-se trêmula. Buscou o transparente baby-doll que deixara sobre uma poltrona e fez um esforço para saber quem havia entrado em seu quarto num ato de violência que se transformou num momento de tanta ternura.

Na copa, Doña Celestina fazia o barulho de todas as manhãs, colocando as xícaras, a leiteira e o bule de café porque a família já havia acordado e se banhado e agora vinha tomar as escaldantes matinais e os respectivos sólidos. Niña Bienvenida nem se dera conta que as horas se passavam rapidamente...

 

 

Quem estivera nos aposentos da casta e pura jovem para levar tanta ternura a uma donzela que mal acordava, beijada pelo sol? Se quer saber! É melhor ler o próximo capítulo...

  

 

 
 
"Odeio-te porque te amo"
Capítulo II
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