México lindo
Capítulo I
A grande casa construída em estilo mexicano, a por mexicanos num vale situado no México, dominava toda a paisagem. Era uma construção erguida com pedras vindas de Chuchurraua, onde se extraíam as melhores pedras chuchurrauas, muito apreciadas para a construção de casas em estilo mexicano construídas com pedras vindas de Chuchurraua e trabalhadas por chuchurruauenses, miseráveis sem salário fixo e num trabalho quase escravo.
Só não eram escravos por inteiro, porque a linda morena niña Bienvenida, havia estudado na Cidade do México, e aprendera, numa pesquisa, que os chuchurrauenses era seres humanos remanescente da civilização Chuchurrauna que no início do século havia sido semidizimada pelos Astecas, no meio do século e os poucos que sobraram foram dizimados pelos Maias e no finzinho do século tomaram uma dizimada dos Incas.
Restaram 180 chuchurrauas que só não foram dizimadíssimos pelos espanhóis, porque se embrenharam nas matas e foram parar no Vale dos Ventos Refrigerados, onde a superstição espalhava que os fantasmas do chuchurrauenses mortos pela dizimação vagavam nas noites de lua cheia, quando era possível serem vistos praticando maldades hediondas. Nas noites sem luar eles não eram vistos, mas ouviam-se seus gemidos, que ressoavam pelas terras Chuchurrauas.
O pai de la niña Bienvenida Begoña Ybarra y Ybarra, o poderoso Don Augustin de Felipe Ybarra y Ybarra, tinha por hábito matar cada grupo de oito chuchurrauas que conseguiam subir a colina trazendo as pedras, para usar o sangue dos infelizes como tinta vermelha enfeitando as paredes que iam sendo erguidas. Quando terminou a casa em estilo mexicano, feita com pedras chuchurranas, sua filha retornou de México City e ao ver a casa vermelha, benzeu-se, rezou 116 terços bizantinos e comparou a casa em estilo mexicano com uma sucursal do inferno de Dante, erguida no cimo do vale. Obrigou a Don Augustin de Felipe Ybarra y Ybarra a substituir o vermelho por um verde esmeralda e então o povo da localidade, em torno a dez léguas, conhecia agora a rica vivenda dos Ybarra y Ybarra como “O Solar das Esmeraldas Bienvenidas”.
Ante a ameaça de que voltaria para México City, a linda jovem de 17 nos, morena de cabelos negros como a asa do urubu e olhos verdes como a casca do abacate, conseguiu do pai que nunca mais ele matasse um chuchurrauense e passasse apenas a tirar-lhes o sangue com a técnica que aprendera quando fez estagio no hemocentro do Hospital de San Libertino, nos arredores de México City, onde ela completou o curso vago de enfermagem prática licenciada.
Na grande casa construída em estilo mexicano no coração do México, viviam ainda outras pessoas da abastada família de Don Augustin de Felipe Ybarra y Ybarra. Doña Celestina De Las Nubes Azules Ybarra y Ybarra, sua esposa (que diziam não ser a mãe da niña Bienvenida); seu irmão e tio de niña Bienvenida, Don Juan Del Castillo Ybarra y Ybarra, capataz da fazenda; o primo de Bienvenida (que diziam não ser primo mas sim o quebra-galho de Doña Celestina que, apesar da idade ainda dava meia sola), Miguelito Hernadez Ybarra y Ybarra; e o sogro pai de Doña Celestina, Don Carlos De Las Nubes Azules, já com 87 anos de idade e que andava nu pela casa porque não suportava o calor tropical do México, sonhando em morar no Canadá, era o responsável pelo chiqueiro onde criava quase uma centena de porcos como se fossem irmãos. Tia Santiaga Rosa Ybarra y Ybarra, irmã de Don Augustin, uma solteirona de quase 50 anos que se só não tinha problemas sexuais porque, disfarçadamente, mantinha encontros furtuitos com os chuchurranos mais jovens aos quais ensinava a arte do amor. E o jovem Miguelito Hernandez Ybarra y Ybarra, irmão de la ninã Bienvenida, que por causa do nome Hernandez, despertava suspeita de que era e não era filho de Don Augustin.
No próximo capitulo, novas e importantes revelações desta família que tem mais emoções do que Marilia Gabi, Gabriela entrevistando Sandy sem Júnior!