O Pequeno Órfão
  
 
Enfim, juntos
 
 
Capítulo XXIII

 

 

Ana pediu a William que soltasse Nikita.

Massageando o pescoço com a mão, o ex-guerrilheiro, que mentira sobre o paradeiro do bebê, respira fundo antes de contar a história verdadeira.

- Bem, ela chegou inconsciente ao nosso aparelho, já em trabalho de parto. Não foi muito difícil para Basílio Stalin e eu ajudarmos a tirar a criança. Havíamos visto muitos partos em Cuba, quando trabalhamos como voluntários em hospitais comunitários.

- Mas o que vocês fizeram com meu filho? Gritou William, mal controlando a raiva.

- Calma, Camarada B... Não o matamos! Pensamos que seria melhor para a nossa causa entregar o bebê a um orfanato e dizer a Ana que ele estava morto. Não esperávamos que ela simplesmente fugisse, abandonando o movimento revolucionário.

Os olhos de William e Ana se iluminaram.

- Então... Ele está vivo! Suspirou a ex-guerrilheira.

- Tudo indica que sim. Deixamos a criança naquele orfanato de freiras perto de onde a encontramos, Ana. Completou Nikita.

William coçou o queixo.

- Ei... O orfanato é a CACA, Casa de Apoio à Criança Abandonada! É o mesmo orfanato onde mora Tobi...

Antes de completar o nome da criança, William olhou para Ana, que o encarou com um sorriso cheio de esperança. Sim! A idade, o tipo físico, o estranho fascínio que o psicólogo sentira pela criança... Tudo indicava que Tobias talvez fosse o filho perdido. A dúvida foi esclarecida com uma ligação internacional. Do Brasil, irmã Piedade confirmou que era realmente Tobias a única criança entregue à CACA naquelas condições, no mês em que ocorrera seu nascimento.

Os dois correram até o quarto da criança. Como se estivesse pressentindo o que ocorrera, o menino abriu ligeiramente os olhos.

- Tobias... Tenho uma ótima notícia! Eu e Luciana somos seus pais!

- Disse o psicólogo, pegando a mãozinha do menino.

Por um minuto a alegria se sobrepôs à dor nos olhinhos da criança. Com um suspiro e um sorriso no rosto, Tobias morreu.

- Nãããão!

Gritou William.

- Papai não vai te perder outra vez!

E mergulhou pela janela do quarto, localizado no décimo andar do edifício.

- B! Meu amor! Espere por mim! Gritou Ana, pulando de braços abertos atrás de seu homem, antes mesmo que o corpo de William atingisse o solo.

Pela porta aberta do quarto, Nikita assistiu a tudo atônito. Os olhos do ex-guerrilheiro se encheram de lágrimas.

- Não é justo!

Balbuciou.

- Sobrou pra mim a conta do hospital!

 

 

 Em uma das muitas moradas do Senhor, Ana, B e Tobias caminham de mãos dadas. A estrada brilhante, de um branco cristalino, se confunde com as túnicas alvas da família, enfim reunida e em paz.

Vindo em sentido oposto, um estranho casal se aproxima. O homem cabeludo com a aparência de um hippie abre um sorriso e abana a mão.

- E aí Tobias, tudo em cima?

- Tudo! Pai... Mãe... Deixa-me apresentar pra vocês: Jim Morrison e Carmem Miranda!

Ana e William cumprimentam a dupla e continuam seus caminhos. O pai de Tobias sacode a cabeça com uma expressão de surpresa.

- Que cara é essa, querido? Pergunta Ana.

William sorri e responde:

- Nada não, amor. Deixa pra lá...

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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Capítulo XXIII
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