O Pequeno Órfão
  
 
 

Tobias entre a vida e a morte

Capítulo XXI

 

 

- Mas... O que eu posso fazer por você, B? Ou melhor, William... Nicolau encarou fixamente o ex-colega de guerrilha e sorveu um gole de café.

- Bem, amigo... Estou aqui em Nova York atrás de um menino.

- O que? Você agora é gay? Espantou-se o homem, quase derrubando a xícara.

William sorriu.

- Não é nada disso. O menino tem menos de 10 anos de idade e é um paciente. Um pequeno órfão. Ele está em poder de um grupo de traficantes de órgãos humanos.

- É muita coincidência!

Interrompeu Nicolau.

- Esta manhã eu ouvi no noticiário que dois brasileiros foram presos, acusados justamente do tráfico de crianças.

- Sim! Podem ser Angelita e Miguel!

Animou-se William.

- Onde consigo mais informações?

- Bem, a prisão foi ontem. Você deve encontrar alguma coisa nos jornais do dia!

William e Nicolau deixaram correndo o apartamento rumo à banca de revistas mais próxima. Não foi difícil encontrar, em um jornal especializado em crimes, a reportagem sobre a prisão de Angelita e Miguel.

- São eles!

Confirmou o psicólogo

- E foram presos graças à intervenção de uma ONG. Talvez os militantes saibam onde se encontra Tobias!

De volta ao apartamento de Nicolau, a dupla gastou às duas horas seguintes com telefonemas, rastreando a tal ONG. A informação mais consistente veio do consulado brasileiro.

- Eles não têm escritórios em Nova York, mas o grupo de brasileiros que prendeu a dupla se encontra num hotel em Manhattan. Vamos para lá! Disse William, já abrindo a porta.

Algum tempo depois, já no hotel, o psicólogo foi surpreendido por uma péssima notícia:

- Eles já não estão mais aqui. Informou o recepcionista

- Ontem chegaram com uma criança, e hoje o menino caiu da janela do quarto, no terceiro andar. Eles correram para o hospital.

- A criança! Como ela está?

- Muito mal, mas foi socorrida ainda com vida.

- Onde fica o hospital?

- O senhor não é norte-americano, é? Perguntou o recepcionista.

- Não, mas... Não é hora para falar sobre a minha vida pessoal.

Nicolau cutucou o colega.

- A gorjeta, William. Nunca viu nos filmes? Eles nunca falam tudo se não levarem algum.

Cinqüenta dólares e quinze minutos depois, William e Nicolau estão na ala de tratamento intensivo do Gonzales Latin Hospital, especializado no atendimento de cucarachas.

Os dois grandalhões que descobriram Tobias no Central Park estavam na porta do quarto.

- Fique onde está! Disse um deles, empurrando William com suas mãos enormes.

- Eu sou amigo de Tobias! Vim do Brasil especialmente para encontrá-lo.

- São ordens da doutora Luciana. Emendou o segundo homem

- Aqui ninguém entra!

- Luciana? Quem é essa idiota? Irritou-se William.

Dentro do quarto, ligado a tubos e fios, mas ainda consciente Tobias reconheceu a voz de William. Juntando todas as suas forças, ele apertou os dedos de Luciana com sua mãozinha.

- Você quer me dizer alguma coisa, querido? Sussurrou a mulher.

-É o barulho lá fora? Vou ver o que está acontecendo.

Luciana abriu a porta e seus olhos pousaram diretamente nos olhos do doutor William Mascarenhas.

- Ana? Murmurou o psicólogo.

- B! Disse a mulher, apoiando-se no portal para conseguir permanecer de pé.

 

 

 

Ana e B se reencontraram! Mas... E Tobias? O que acontecerá com o pequeno órfão?

 

 

 
 
"O Pequeno Órfão"
Capítulo XXI
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