- Mas... O que eu posso fazer por você, B? Ou melhor, William... Nicolau encarou fixamente o ex-colega de guerrilha e sorveu um gole de café.
- Bem, amigo... Estou aqui em Nova York atrás de um menino.
- O que? Você agora é gay? Espantou-se o homem, quase derrubando a xícara.
William sorriu.
- Não é nada disso. O menino tem menos de 10 anos de idade e é um paciente. Um pequeno órfão. Ele está em poder de um grupo de traficantes de órgãos humanos.
- É muita coincidência!
Interrompeu Nicolau.
- Esta manhã eu ouvi no noticiário que dois brasileiros foram presos, acusados justamente do tráfico de crianças.
- Sim! Podem ser Angelita e Miguel!
Animou-se William.
- Onde consigo mais informações?
- Bem, a prisão foi ontem. Você deve encontrar alguma coisa nos jornais do dia!
William e Nicolau deixaram correndo o apartamento rumo à banca de revistas mais próxima. Não foi difícil encontrar, em um jornal especializado em crimes, a reportagem sobre a prisão de Angelita e Miguel.
- São eles!
Confirmou o psicólogo
- E foram presos graças à intervenção de uma ONG. Talvez os militantes saibam onde se encontra Tobias!
De volta ao apartamento de Nicolau, a dupla gastou às duas horas seguintes com telefonemas, rastreando a tal ONG. A informação mais consistente veio do consulado brasileiro.
- Eles não têm escritórios em Nova York, mas o grupo de brasileiros que prendeu a dupla se encontra num hotel em Manhattan. Vamos para lá! Disse William, já abrindo a porta.
Algum tempo depois, já no hotel, o psicólogo foi surpreendido por uma péssima notícia:
- Eles já não estão mais aqui. Informou o recepcionista
- Ontem chegaram com uma criança, e hoje o menino caiu da janela do quarto, no terceiro andar. Eles correram para o hospital.
- A criança! Como ela está?
- Muito mal, mas foi socorrida ainda com vida.
- Onde fica o hospital?
- O senhor não é norte-americano, é? Perguntou o recepcionista.
- Não, mas... Não é hora para falar sobre a minha vida pessoal.
Nicolau cutucou o colega.
- A gorjeta, William. Nunca viu nos filmes? Eles nunca falam tudo se não levarem algum.
Cinqüenta dólares e quinze minutos depois, William e Nicolau estão na ala de tratamento intensivo do Gonzales Latin Hospital, especializado no atendimento de cucarachas.
Os dois grandalhões que descobriram Tobias no Central Park estavam na porta do quarto.
- Fique onde está! Disse um deles, empurrando William com suas mãos enormes.
- Eu sou amigo de Tobias! Vim do Brasil especialmente para encontrá-lo.
- São ordens da doutora Luciana. Emendou o segundo homem
- Aqui ninguém entra!
- Luciana? Quem é essa idiota? Irritou-se William.
Dentro do quarto, ligado a tubos e fios, mas ainda consciente Tobias reconheceu a voz de William. Juntando todas as suas forças, ele apertou os dedos de Luciana com sua mãozinha.
- Você quer me dizer alguma coisa, querido? Sussurrou a mulher.
-É o barulho lá fora? Vou ver o que está acontecendo.
Luciana abriu a porta e seus olhos pousaram diretamente nos olhos do doutor William Mascarenhas.
- Ana? Murmurou o psicólogo.
- B! Disse a mulher, apoiando-se no portal para conseguir permanecer de pé.

Ana e B se reencontraram! Mas... E Tobias? O que acontecerá com o pequeno órfão?