O Pequeno Órfão
 

  

 

Nos porões da ditadura

 

 

Capítulo II

 

Um ano antes, nos porões da Ditadura Militar, dois policiais interrogam a líder subversiva Ana Cândida Hernandes, a "Ana Che".

- Confesse, você é Ana Che.

- Não, juro! Não entendo nada dessas coisas de política! Responde a moça, com medo nos olhos.

- Pare com esta farsa. Prendemos você em flagrante, na praça, pintando de cor-de-rosa a bunda do cavalo do Duque de Caxias. Você estava ridicularizando o patrono de nossas Forças Armadas!

Ana ainda tentou justificar-se.

- Sou artista plástica. Aquilo era uma intervenção na paisagem urbana, com o objetivo de levar a uma reflexão sobre a necessidade de promovermos rupturas estéticas entre cor e forma, propiciando uma nova visão dos objetos já incorporados ao nosso cotidiano.

Um dos homens coçou a cabeça:

- Com esse papo esquisito ela convenceu, chefe. Essa moça só pode ser mesmo artista plástica!

- Não seja estúpido!

Cortou o policial mais velho, bruscamente.

- Estes comunistas são treinados em Cuba. Este texto está na página 48 do manual "Respondendo a Interrogatórios Quando Preso em Flagrante", com prefácio de Fidel Castro.

Um arrepio percorreu a espinha de Ana. Ela não contava com a experiência de seu carrasco.

- Leve-na para a sala... "Especial". A moça vai falar.

Ordenou o cruel inquisidor, apontando uma porta.

- Mas chefe... Ela está grávida! Aliás, no final da gravidez!

- Apenas cumpra minhas ordens!

 

 

 

O que acontecerá com Ana Che?

O que o capítulo I tem a ver com o capítulo II?

Se você já chegou até aqui vai ler o próximo, não é?

 

 

 
 
"O Pequeno Órfão"
Capítulo II
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