

Chegando ao orfanato Capítulo I Era uma noite chuvosa, em Dezembro de 1971. Na CACA, Casa de Apoio à Criança Abandonada, a bondosa Irmã Piedade ouve batidas nervosas à porta e passos rápidos. Com sua experiência acumulada ao longo de 40 anos ajudando pequeninos, a quem o destino não sorriu, Piedade sabia o que encontraria quando abrisse a pesada porta de carvalho daquela construção centenária. - Mais um bebezinho...Confirmou, num suspiro. O que a velha religiosa não sabia é que estaria diante de uma criança muito especial. Tão logo viu o menino enrolado em farrapos, num velho cesto de vime, Piedade foi tomada por uma espécie de arrebatamento. Os olhos grandes e expressivos, negros como um céu sem luar, contrastavam com a pele muito alva da criança. Nunca antes um simples olhar infantil conseguira lhe dizer tanto. Piedade ergueu o bebê nos seus braços. - Bem vindo, rapazinho. Murmurou com ternura. A irmã sentiu um calor diferente espalhando-se pelo seu peito. Ficou parada ali, contemplando o pequenino, quando Irmã Consolação, que dividia com ela a responsabilidade sobre as crianças, aproximou-se. - Mais uma boca para alimentarmos... Disse. Ao contrário de Piedade, Consolação era uma mulher fria e pragmática. Não por acaso, respondia pelas funções administrativas do orfanato, enquanto sua colega se encarregava dos cuidados e do apoio afetivo àqueles pobres abandonados. - Este parece ser especial, Consolação. Piedade não conseguia desviar os olhos do pequenino. - Desde o momento em que o peguei em meus braços. Continuou. - Senti um estranho calor inundando meu peito. Consolação balançou a cabeça com desdém e apontou o hábito da colega. - Esse calor é xixi, sua tola. Ele mijo em você. Devolvendo a criança ensopada ao cesto, Piedade já não a achava mais tão especial assim.
Qual será o futuro do menino?
Confira no próximo capítulo.