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MENDIGO DAS
ESTRELAS
Não é possível Senhor,
dar um vidro de mel a uma criança, sem que
ela coloque dentro dele ao menos um
dedo. Assim eu também, não me posso privar do
teu amor inefável. Senhor, eu sou apenas um
mendigo, um mendigo de estrelas. Sou apenas
um doente, e a minha febre não tem remédio, o
meu coração está ferido, mas, o teu é um cofre
de paz. Gostaria tanto de cativar-te
Senhor! Reveste de beleza todo o meu
ser, como uma noiva no seu vestido
nupcial. Lava-me com a água do poço
profundo, do riacho murmurante, da chuva
batismal. Senhor, não se pode impedir ao sol
de abandonar pela manhã o seu
esconderijo. Quem poderá, pois, impedir a tua
palavra de penetrar no mais íntimo dos
corações? Até o mais profundo do meu ser, até
as juntas dos meus ossos. Eu Te conheço muito
mal Senhor! Mas lava-me, lava-me, lava-me.
Lava-me com a água do Rio Jordão, com a água
do poço de Jacó, com a água da fonte de
Siloé e enxuga-me com o calor do teu sol
resplandecente.
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