A
conversa com os pais
Capítulo
XXV
-
Adenaíra contraiu uma gravíssima infecção hospitalar,
filho...
Bruno
ficou chocado com a notícia. O Adenair que conhecera era tão alegre tão
saltitante.
-
“Assim, adormecido e com esta touca, é incrível a semelhança com Jeitosinha”.
Pensou.
Adenaíra
abriu os olhos e viu Bruno, ao seu lado, com as bandagens envolvendo a
cabeça.
-
O que houve, meu amor? Balbuciou.
-
Nada, não se preocupe. Caí da escada. Mentiu o rapaz, numa tentativa de
minimizar o sofrimento daquela recém mulher.
-
E-eu... fi-fiz isso por você, Bruno. Fiz por amor. Os olhos de Adenaíra voltaram
a se fechar.
-
Doutor... Quais as chances? Perguntou o angustiado rapaz.
-
Depende muito. Ela pode simplesmente se entregar a doença, e as chances serão
mínimas. Mas se ela se apegar a algo que a faça querer viver, e se o antibiótico
em estoque não for de maisena, talvez ela tenha alguma
chance.
(Antes
que me chamem de burro, maisena é com S mesmo. A marca daquela maisena com
embalagem amarela é que é com Z).
-
É uma pena... Gostaria de poder ajudar.
-
Você pode!
Disse
o médico.
-
Ela o ama! Dê-lhe esperança! Concluiu o médico.
Bruno
continuava perdidamente apaixonado por Jeitosinha. E o que é pior: por
Jeitosinha completa, versão de fábrica.
-
"Se Adenair soubesse que seu sacrifício ao realizar a cirurgia apenas aumentou o
abismo entre nós..." Refletiu.
Mas
por outro lado, tentar salvar uma vida era motivação suficiente para fazê-lo
recuperar o amor pela sua própria existência, depois da grande desilusão de
encontrar a amada trabalhando num bordel. Via como algo mais que uma simples
coincidência o fato de que estavam juntos num mesmo
ambulatório.
-
Tudo bem, doutor. Eu vou ajudar! Concluiu, conformado com aquele jogo do
destino.
Em
sua casa, sozinho no quarto, Ambrósio tentava reorganizar suas idéias. Será que
foi mesmo vítima de Jeitosinha? E os homens verdes? Novas imagens se formaram em
sua mente depois do choque diante da detetive Alessandra. Lembrava-se,
remotamente, de uma linda menina loira, que ele amava muito. Sim, talvez fosse
Jeitosinha. Ele começava a se lembrar dela. Para preservar sua sanidade,
Ambrósio estava disposto a não associar a filha àquela cena dantesca, e
simplesmente esquecer o ocorrido. Mas Jeitosinha não. Aproveitando-se do fato de
que estavam a sós na casa, a moça entrou no quarto dos pais para conversar com o
seu deformado genitor.
-
Papai...
-
Je-jeitosinha?
Ambrósio
ainda tinha uma ponta de medo na voz.
-
De-desculpe-me pelas acusações na sala. Minha cabeça não anda boa. Disse
Ambrósio.
-
Engana-se, velho sórdido. Sua cabeça anda melhor do que você
pensa.
Ambrósio
foi tomado pelo pânico! Aquele sorriso sarcástico e cruel! Sim, não fora uma
fantasia! Jeitosinha o havia mutilado com a moto serra!
-
Não! Gritou o homem.
-
Me deixe em paz! Socorro! Ambrósio continuava a gritar.
-
Grite... Ninguém lhe ouvirá.
-
Não me mate! Implorou de joelhos, abraçando os pés da
loira.
-
Eu não seria tão imbecil. Não agora, com aquela detetive intrometida por perto.
Mas eu lhe aviso: se repetir àquelas acusações para quem quer que seja, não
pensarei duas vezes antes de consumar o serviço que pensei ter
finalizado.
-
Sim, sim...
Disse
Ambrósio, patético, entre lágrimas.
-
Serei um túmulo! Mas... Por favor, me ajude. Ainda não sei se estou bem.
Lembro-me de algumas imagens completamente surreais. Homens verdes
e...
E...Jeitosinha
sorriu maliciosamente, abriu o zíper expôs seu enorme mistério. Sim, Ambrósio.
Pelo menos isto é real.
Mas
que história é essa de homens verdes?
Que
idiota colocaria estúpidos homens verdes em nossas vidas, tão
cotidianas?
O
homem sacudiu a cabeça, confuso. Jeitosinha acariciou sua cabeça, fazendo homem
se encolher ainda mais.
-Vou
deixar-lhe em paz por enquanto. Mas tenho um pedido, papai: você me ajudará no
meu próximo plano de vingança.
Lágrimas
no hospital!
Sexo
e violência!
Não
deixe de ler ao próximo
capítulo!