Ele
morreu?
Capítulo
XXIV
A
detetive Alessandra sentou-se no sofá que outrora estivera coberto pelo sangue
de Ambrósio. Acendeu um cigarro e cruzou lentamente as pernas, numa cena que
lembrava Sharon Stone em "Instinto Selvagem".
-
Creio que você chegou tarde...
Apressou-se
em explicar Marilena!
-
Meu marido já voltou.
-
Ele é o Ambrósio?
Espantou-se
Alessandra, sem conseguir esconder sua expressão de asco.
-
E o que ou quem fez isso a ele?
-
Ainda não sabemos. Disse Arlindo.
-
Com certeza foi algum acidente... Emendou Jeitosinha, um pouco nervosa.
A
experiente Alessandra percebeu o ambiente pesado do lar.
-
"Aqui, com certeza, se escondem grandes segredos". Pensou.
Fascinada
por seu ofício, naquele momento, a bela detetive, soube que não teria sossego
enquanto não desvendasse cada detalhe do que já chamava de "Caso
Ambrósio".
-
Conte-me, meu bom homem. Quem lhe feriu?
Ambrósio
tremeu a simples lembrança de fragmentos da cena, que ele sequer conseguia
verbalizar.
-
Na-não me lembro. Não quero saber. Eu estou bem.
A
mulher tocou Ambrósio carinhosamente.
-
Procure se lembrar... Estas marcas... Foi, sem dúvida, uma arma cortante. Talvez
uma lâmina grossa... Uma serra...
-
Não! Ambrósio encolheu-se, em pânico, protegendo a cabeça com as
mãos...
Jeitosinha
sentiu um arrepio na espinha. E se o pai recobrasse a
memória?
A
detetive Alessandra continuou seu trabalho.
- Procure se
lembrar... Uma pessoa, uma imagem...
Ambrósio
subitamente silenciou-se. Com os olhos fixos na linda policial exclamou
baixinho:
-
Sim... Eu me lembro de algo. Sim!
-
O que? O que?
A excitação de Alessandra era quase sexual.
-
Foi ela! Foi ela! Gritou, apontando para Jeitosinha.
-
É mentira! Gritou Jeitosinha.
-
Cale-se! Deixe o homem concluir seu relato! Disse a
detetive.
E
voltando-se para Ambrósio:
-
Diga, senhor... Ela fez isso com você. E depois?
-
Depois homens verdes, numa nave espacial me trouxeram de volta à
vida!
A
policial sorriu, constrangida, e abraçou o fragilizado
Ambrósio.
-
Homens verdes? É uma alucinação, sem dúvida... Por hoje é só. Mas me aguardem.
Vou continuar as investigações.
Jeitosinha
sentiu-se mais leve. Marilena e Arlindo olharam para o pai e para a loira, com
expressões indecifráveis.
Longe
dali, a primeira coisa que Bruno viu foi uma luz branca e intensa. O rosto de
Jeitosinha sorria para ele, e moldurada por centenas de pênis de todos os
tamanhos e formas.
-
Estou no paraíso! Sussurrou.
Mas
o delírio foi interrompido pela penetração contundente de uma agulha de injeção.
De olhos abertos, o confuso rapaz viu um homem de roupa alva, parado ao lado da
cama de hospital onde estava deitado.
-
Você nasceu de novo, filho. A bala acertou de raspão a sua
fronte.
-
On-onde estou?
-
No ambulatório de um hospital público.
Bruno
percorreu o lugar com os olhos e não acreditou no que viu. Com uma touca
cobrindo os cabelos, adormecida na cama ao lado, encontrava-se ninguém menos que
sua amada.
-
Jeitosinha! Exclamou.
-
Só se for nome de guerra...
Corrigiu
o médico.
-
Ele chegou aqui como Adenair e agora é Adenaíra...
-
Adenaíra? Espantou-se.
-
Sim... Ele submeteu-se ontem a uma cirurgia para mudança de sexo. Mas talvez
nunca aproveite sua nova anatomia...
-
Por que doutor? Por que doutor?
O
homem tomou um longo fôlego antes de explicar a Bruno o drama do ex-irmão, agora
irmã, de Jeitosinha.
Gente,
já pensou isso no cinema, com a Cameron Diaz de
Jeitosinha?
Mais
emoções e podridão no próximo capítulo da sua adorável
“Jeitosinha”!