O
júbilo de Jeitosinha
Capítulo
XV
O
júbilo de Jeitosinha durou pouco. Se num primeiro momento a idéia de ter salvado
a humanidade era alentadora, horas depois o que a fantástica experiência lhe
causava era mais revolta e dor. De que adiantava ter salvado o mundo, se não
obteria pelo seu ato qualquer tipo de reconhecimento? Para o restante da
humanidade, ela continuava sendo aquele ser anacrônico, discriminado por fugir
dos padrões.
Só
uma pessoa na cidade estava se sentindo mais angustiado: Bruno. Num bairro
distante, trancado em seu apartamento, o pobre rapaz refletia sobre a grande
(bota grande nisso) emoção que sentiu em sua primeira noite de amor com
Jeitosinha.
-"Será
que eu gostei porque era a minha amada?" Perguntava-se.
-"Ou
será que tamanho prazer adveio do fato de que tratava-se de um homem? Sou hetero
ou gay?"
-
Quem é você? Gritou Bruno angustiado, olhando sua imagem no
espelho.
Sentia-se
sujo. Seus desejos o incomodavam, como se ele tivesse experimentado a fruta do
pecado. Mas sabia que Jeitosinha era uma vítima, como ele. Ele podia entender
que a namorada era um modelo de virtude e pureza, e que seu gesto, ao seduzi-lo,
era apenas uma grande manifestação de amor!
Por
um momento, olhou para o problema sob outra perspectiva, muito menos
dramática:
-
“Sim, Jeitosinha é pura. É a minha Jeitosinha. Em nome desta pureza vale a pena
continuar com ela!”.
Concluiu.
-
“Se ela fosse um travesti vulgar... Mas não! Ela foi criada como uma mulher, sob
rígidos padrões morais!”
Quem
sabe se eles ainda pudessem ter uma vida junta, mantendo a condição de
Jeitosinha em segredo?
Num
fragmento de sonho, Bruno se viu casado com ela, vivendo grandes noites de amor
e criando duas crianças adotadas, Cléverson Luís e Suelen Aparecida, como se
fossem seus filhos biológicos. Pensou em procurar a sua doce amada naquele mesmo
momento e propor a realização do casamento, tão desejado em tempos menos
complicados. Mas antes precisava enfrentar seu próprio demônio interior.
Precisava saber se o que sentiu naquela noite mágica foi amor ou pura volúpia.
Precisava, enfim, fazer amor com outro travesti e colocar-se a
prova!
Bruno
resolveu que aquela noite iria a um bordel atrás de respostas. Iria buscar
reviver, com uma vulgar criatura da noite, emoções tão... Hã... Grandes quanto a
que viveu com sua inocente Jeitosinha.
Mal
poderia imaginar a grande surpresa que o esperava...
Confira
no próximo
capítulo!