Jeitosinha
e Arlindo nas mãos dos Ets.
Capítulo
XIV
Lentamente
Jeitosinha foi recuperando a consciência. Nos primeiros minutos, aquele cenário
de ficção científica parecia apenas um sonho estranho. Mas, a medida em que as
imagens ganharam contornos e cores é que aflorou em sua mente a lembrança dos
últimos momentos no carro.
Um
indescritível pânico tomou conta de nossa heroína. Seu grito agudo acordou
Arlindo que, como ela, encontrava-se atado a uma chapa metálica, quase
verticalmente. A sala estava deserta, mas, minutos depois, duas das criaturas
verdes entraram no ambiente. Mesmo sendo de uma espécie muito diferente,
Jeitosinha sentiu que aqueles seres estavam muito tristes. Seus enormes olhos
revelavam esta condição. Usando um estranho aparelho, que acoplado a boca do
extraterrestre funcionava como um tradutor, a criatura que parecia liderar as
demais se dirigiu ao casal.
-
Creio que lhe devemos explicações...
Jeitosinha
e Arlindo estavam paralisados pelo medo.
O
homem verde continuou:
-
Meu planeta está passando por uma crise terrível. Construímos uma civilização
poderosa e avançadíssima. Controlamos toda a nossa galáxia, mas estamos
condenados à extinção.
Os
rostos curiosos dos irmãos não moviam um só músculo, enquanto o ET narrava sua
história. Ele explicou que, por um capricho da biologia que a ciência não
conseguiu contornar, estava nascendo em seu planeta um número infinitamente
inferior de mulheres, numa comparação com o número dos homens. Pelos cálculos
dos cientistas, em não mais que quinhentos anos seu povo terá desaparecido, a
não ser que se encontre uma alternativa para se reverter o
quadro.
-
Numa análise superficial.
Continuou
a criatura.
-
Percebemos que talvez fosse possível utilizar as terráqueas para gerar nossos
filhos. Se a idéia se confirmasse, nossa intenção era a de exterminar todos os
homens e levar conosco as mulheres. Minha missão veio a Terra com o propósito
específico de analisar a anatomia feminina, abortar ou autorizar a
operação.
O
homem verde deixou-se desabar numa cadeira, vencido pelo
desânimo.
-
Mantivemos você sedada por seis horas.
Disse,
dirigindo-se a Jeitosinha.
-
E descobrimos, depois de estudá-la, que a máquina humana é muito mais complexa
do que esperávamos. Vocês, mulheres terráqueas, são bastante parecidas com os
homens.
Jeitosinha
esforçou-se para não demonstrar sua enorme alegria: ao ser confundida com uma
mulher, sem querer ela havia salvado a raça humana da destruição
total!
-
Vamos libertá-los e partir atrás de outros mundos. Encerrou o
ser.
Já
de volta ao carro, ainda atônita por aquele turbilhão de emoção, Jeitosinha
abraçou seu irmão e inimigo:
-
Você entende, Arlindo? Minha vida tem um sentido! O que são nossas rusgas do
dia-a-dia diante desta experiência tão avassaladora?
Arlindo
afastou Jeitosinha e esboçou um sorriso pálido.
-
É, irmã. Foi bom. O dia está nascendo e devemos voltar para casa. Mas como a
vida continua, amanhã você estréia no bordel.
O
que estes ETs vieram fazer na história?
Será
que se foram da mesma forma estúpida com que entraram?
Confira
no próximo e emocionante
capítulo!