Pretensões
de Arlindo
Capítulo
XII
Jeitosinha
não acreditava no que acabava de ouvir. Desde a revelação de seu trágico
segredo, sentia-se num pesadelo sem fim. Não bastasse todo o ódio em seu
coração, o estranho desfecho da morte do pai e a perda de Bruno, seu amado,
agora a nossa heroína era chantageada pelo cruel Arlindo!
-
Você quer que eu me prostitua?
-
Sim.
Concordou
o irmão, sem um pingo de emoção na voz.
-
Existe um bordel de luxo aqui perto de casa... Pessoas exóticas como você podem
ter um bom valor no mercado.
-
M-mas... Eu sou virgem! Sou inocente! Retrucou Jeitosinha, aos
prantos.
-
Pois você tem até amanhã para aprender o que precisa.
Arlindo
deixou o quarto da loira batendo a porta. Adenair entrou em seguida, curioso em
saber o que acontecera. Jeitosinha contou resumidamente a
história.
-
Mas não pode ser! Você precisará matá-lo também! Reagiu o enrustido, batendo o
pezinho nervosamente.
-
Sim, mas não poderei fazê-lo agora. Não com o estranho desaparecimento do corpo
de papai. Precisamos desvendar primeiro este mistério. Disse Jeitosinha,
recompondo-se.
-
Então você...
-
Não resta outra alternativa, Adenair. Terei que me submeter aos caprichos de
Arlindo. E pode ter certeza: estarei mais pronta amanhã do que ele
pensa!
Pela
primeira vez desde o rompimento, Jeitosinha voltou àquela noite ao apartamento
de Bruno. Encontrou-o em estado de total desespero, sorvendo doses e mais dose
de uísque barato.
-
Você destruiu a minha vida! Lamentou o jovem.
A
loira, usando um vestidinho curto, sentou-se no seu colo. Numa explosão de
luxúria, enfiou a língua na boca de Bruno, antes que ele pudesse esboçar
qualquer reação. Num primeiro momento ele retribuiu ao carinho, mas logo se
lembrou de que estava beijando um homem.
Rejeição
e desejo se sucediam em ondas no coração de Bruno. Mas ele havia bebido bastante
e amava Jeitosinha...
No
dia seguinte, consumada uma louca e completa noite de amor, a loira acordou e
viu Bruno, de pé, contemplando-a. Ela abriu um sorriso, mas não foi
retribuída.
-
Você é tão bonita... Murmurou o rapaz, com um semblante que mais sugeria um
lamento que um elogio.
-
O que você achou da noite, meu amor?
-
Eu... Eu estou confuso... Foi tudo muito diferente... Vi-me fazendo coisas que
nunca imaginei ser capaz...
-
Calma meu amor...
Respondeu
docemente Jeitosinha.
-
Sente-se aqui ao meu lado e vamos, conversar melhor sobre
isso...
-
Bem...
Respondeu
Bruno, com um sorrisinho sem graça.
-Podemos
até conversar. Mas sentar, eu não
consigo...