Revolta
de Arlindo
Capítulo
XI
-
Você nunca me enganou, Jeitosinha...
A
voz de Arlindo destilava revolta e ódio.
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Vou contar seu segredo ao papai, assim que ele voltar da pescaria! Aliás, vou
contar ao mundo!
-
Contar ao papai? Espantou-se a moça.
Então
Arlindo não sabia que o pai estava morto! Não foi ele quem escondeu o corpo!
Jeitosinha estava tão fragilizada que acabou assumindo sua bizarra condição ao
irmão.
-
Sim, Arlindo. Sou uma mulher aprisionada no corpo de um homem. Mas sou a maior
vítima desta situação! Eu lhe imploro: não revele o meu segredo!
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Não adianta, Jeitosinha...
Retrucou
o magoado Arlindo.
-
Toda a minha vida, eu sempre brinquei com cavalinhos feitos de palitos de
fósforo fincados em batatas, enquanto a princesa tinha os mais caros brinquedos.
Toda a minha vida, eu dormi espremido num beliche, com os pés do Amarildo
tocando as minhas narinas, enquanto você tinha seu quarto e finos lençóis de
seda...
Arlindo
agarrou Jeitosinha pelos braços e fitou o fundo de seus olhos.
-
Mas o que eu nunca vou perdoar mesmo foi àquela surra que levei quando descobri
a verdade sobre você... Arlindo tremia de rancor.
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Mas nem eu mesma sabia! Tentou defender-se Jeitosinha.
-
Chega! Chega de suas mentiras! Arlindo virou-se em direção à porta.
A
irmã, desesperada, lançou-se ao chão e abraçou seus pés.
-
Não, Arlindo... Por favor, eu faço qualquer coisa!
-
Qualquer coisa?
O
tom do rapaz agora era mais suave.
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Comece mostrando-se para mim. Quero vê-la nua!
Relutante,
Jeitosinha livrou-se de suas roupas e revelou seu corpo perfeito de mulher.
Bem... Quase perfeito.
- Não é justo...
Balbuciou
Arlindo, apontando o apêndice que fazia de Jeitosinha um quadro
surrealista.
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Até neste quesito você ganha de mim...
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Por favor, não seja rude comigo...
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O que? Espantou-se o moço
-
Você imaginou que eu quero tocar você? É ruim, heim?
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Mas... O que você quer então? Perguntou a moça, voltando a se vestir.
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Você vai me render dinheiro, irmãzinha. Muito
dinheiro!